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Cristina Homem de Mello: "Um bebé não vem com manual de instruções"

Redacção Caras
31 de julho de 2008, 00:00

Ser mãe era um dos seus maiores sonhos e Cristina Homem de Mello esperou até aos 42 anos para realizá-lo. Depois de ter encontrado a estabilidade emocional ao lado de Francisco Vidal, de 37 anos, que já tem uma filha, Carolina, de 14 anos, a actriz engravidou e, em Fevereiro, foi mãe de Martim.Durante estes cinco meses, a vida do casal mudou, mas é com a sabedoria de quem sabe desfrutar de cada momento que a actriz e o empresário no ramo automóvel têm vivido a maternidade.Entre os choros e os biberões, Cristina já encontrou o equilíbrio entre o seu lado de mãe e o de mulher. E foi numa conversa cheia de sorrisos, e de uma enorme sinceridade, que a actriz falou com a CARAS sobre as dificuldades e alegrias de quem viu, de um dia para o outro, a vida ganhar novos ritmos... e uma nova companhia. - Como tem sido a experiência de ser mãe? Cristina H. de Mello - Tem sido muito intensa e tem passado por várias fases. Quando o Martim nasceu e vimos que era um bebé perfeito e saudável, pensámos que daí para a frente iria correr bem. O bebé vai comer, dormir e pouco mais. E, depois, descobrimos que é muito mais do que isso. Os dois primeiros meses foram complicados, porque é a fase de adaptação dele a nós e de nós a ele. Ele dormia aos bocadinhos e eu tive muita dificuldade em adaptar os meus sonos a esse ritmo. E houve alturas em que fiquei enervada, porque nem conseguia tomar banho sem ele estar a chorar. [risos] De repente, perdi a minha vida, porque tudo passa a ser vivido em função dele. - Sente falta desse tempo para si? - Agora já não. Por isso é que digo que esta experiência se dá por fases. A partir dos três meses, o Martim passou a dormir melhor. Hoje já consigo conciliar tudo. A pouco e pouco comecei a ter tempo para as minhas próprias rotinas. "Há um momento de ternura entre mim e o meu marido todos os dias." (C.H.M.) - Ser mãe também se aprende, não é simplesmente algo inato... - Ser mãe tem muito que se lhe diga. Claro que o instinto maternal existe, mas só se aprende a conhecer o bebé e as suas necessidades no dia-a-dia. E é nesta convivência que o bebé também vai aprendendo a ter regras e hábitos. Mas é importante dizer que não é fácil, porque nenhum bebé vem com manual de instruções. [risos] Eu tive muita sorte, porque tenho muitas ajudas, mas mesmo assim temos sempre de nos sacrificar um bocadinho. - E qual tem sido a melhor parte de toda esta experiência? - É ver que o meu bebé é feliz. Saber que ele é saudável dá-me uma enorme alegria. O sorriso do Martim é uma delícia. - Ter uma família tão unida como a sua também ajuda a que tudo funcione... - Sem dúvida. E foi por isso que esperei tanto para realizar este sonho. Para mim é muito importante saber que tenho ao meu lado uma pessoa que amo tanto e que é um excelente companheiro e um pai maravilhoso. O Francisco foi essencial naqueles dois primeiros meses. Ele compensava as minhas depressões. Para ele, nada é um problema, desdramatiza tudo. E a Carolina é uma irmã muito presente, que brinca imenso com o irmão. - A Carolina nunca teve ciúmes do irmão? - Acho que não. E temos bastante cuidado com isso. Mas os afectos e a atenção que se dão a uma adolescente e a um bebé são completamente diferentes. E, por isso, temos de a cativar de uma outra maneira. - Como retrata o Francisco enquanto pai? - É o pai da brincadeira, que está sempre disponível para a galhofa. É igualmente uma pessoa disponível para me ajudar com as fraldas ou com os sonos do Martim. Mas essa parte é mais para mim, porque, se calhar, fui eu própria quem assumiu desde logo essa função. "Dizer que a minha felicidade passa única e exclusivamente pelo meu filho não é verdade." (Cristina Homem de Mello) - A vossa vida, como casal, mudou muito com o nascimento do Martim? - Mudou. Agora não há muito tempo para mais nada. Contudo, sempre tive a consciência de que não podia descurar a vida de casal. Temos é de arranjar alternativas. Se calhar já não temos a mesma disponibilidade para fazermos a mesma vida de antes, em que saíamos muito mais a dois. Há um momento de ternura e de namoro entre mim e o meu marido todos os dias. - Hoje é uma mulher mais realizada? - Essa pergunta tem, para mim, uma resposta ambígua. É óbvio que estou muito feliz e que o Martim era uma parte que me faltava para me sentir mais preenchida. E com o meu filho, vivo um amor incondicional, porque dou-lhe tudo e não peço nada em troca. Contudo, sempre fui uma pessoa feliz e realizada. Dizer que a minha felicidade passa única e exclusivamente pelo meu filho não é verdade. - Ser mãe também a deve ter mudado como mulher... - Mudou. Em primeiro lugar, passei a relativizar muito mais as coisas. A grande prioridade é o bem-estar do meu filho. Por isso, se saio mais ou menos à noite, se tenho pouco tempo para mim, passou a ser pouco importante. E, depois, o meu temperamento também mudou. A paciência e o sentido de humor descobrem-se verdadeiramente depois da maternidade. Só consegui dar a volta a certas situações de maior stresse com o bebé com uma gargalhada. - Acha que vai ser fácil conciliar a sua carreira com o papel de mãe? - Pode não ser fácil, mas vai ter de ser. Em Setembro, ele entra para a creche e eu quero começar a trabalhar em Outubro. Contudo, não gostaria de estar a trabalhar todos os dias, porque quero acompanhar de perto o crescimento dele. Mas não vai ser nada fácil separar-me dele... O Martim está numa fase óptima.

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