Nas Bancas

Teresa Lança defende: "Acho que é um privilégio ser mulher e poder ser mãe"

Redacção Caras
28 de julho de 2008, 00:00

A sua vasta colecção de sapatos foi o pretexto que nos levou até Teresa Lança, publicitária e directora executiva da agência W/Portugal. Mas Teresa tem muito mais para contar. É mãe, é mulher e, acima de tudo, é uma pessoa solidária, prestável, alegre e de bem com a vida. E foi com essa boa disposição que nos abriu as portas daquela que será a sua futura casa, em Santos - onde de momento funciona a agência de publicidade do marido - e se deu a conhecer. Durante cerca de uma hora, falou com a CARAS sobre os planos que tem para adoptar Rosa, a sua afilhada que vive em Moçambique, sobre o casamento com Jaime Mourão-Ferreira, com quem está há cerca de dez anos e trabalha lado a lado, do filho que têm em comum, Afonso, de cinco anos, e, claro, da tal paixão por sapatos. - A Teresa não esconde que não resiste a sapatos...- Há já uma série de anos que tenho esta paixão. O meu marido acha que sou um bocado louca. Um único drama é que ocupo muito espaço no closet, temos esse problema. Ele sabe que é mais forte do que eu, mas que tenho bom senso. - Comete muitas loucuras por sapatos?- Algumas. Sou de grandes amores e paixões. Se forem excessivamente caros, primeiro digo que não quero, depois encontro justificações racionais para os ter. Os sapatos revelam quem as pessoas são, mas também fazem as pessoas, como diz Tom Ford. - Quantos pares tem?- Não tenho ideia, talvez algumas dezenas. Nunca me dei ao trabalho de os contar, porque também vou dando alguns, apesar de ser daquelas pessoas que guardam tudo. Mas quando os dou, prefiro nem pensar, e é óptimo, porque vejo que as pessoas gostaram e usam. E isso dá-me gozo. - Nem todas as pessoas têm possibilidades para sustentar uma paixão como essa. A Teresa sempre pôde comprar aquilo que queria?- À medida das minhas ambições, sim. Numa determinada altura, com o dinheiro dos meus pais, e depois com o meu. As nossas necessidades têm de se adaptar à vida que temos. Devemos viver e ambicionar à nossa medida. Não funcionar à base da inveja e lutar por aquilo que se quer. Eu sempre fiz isso a vida toda. Mesmo estando com os meus pais, trabalhava para as minhas coisas. Como eram coisas supérfluas, sabia que tinha de encontrar uma forma, e como a única forma que eu sei de ganhar dinheiro é trabalhando, então... Mas gastava o dinheiro todo. - O consumismo é o seu defeito?- Tenho outros. Tenho muito mau feitio. Sei que sou um bocado teimosa e manipuladora, mas no bom sentido. Tenho muitos defeitos, e ser excessivamente consumista é só um deles. Às vezes paro e penso: que vergonha, num mundo como o nosso, por que é que uma pessoa gasta tanto dinheiro em algumas coisas? Mas também, quando nos esforçamos, se não tivermos algumas compensações, não faz sentido. Mas eu faço-o porque posso, felizmente. - Faz por merecer, é isso?- Não sou uma pessoa que não faz nada na vida e a quem as coisas sejam oferecidas de bandeja. Mas, simultaneamente, acho que faço e dou outras coisas que compensam este meu lado mais fútil, dedicado à moda. Se eu tivesse uma filha, teria uma herdeira de uma série de peças vintage. Mas já tenho uma afilhada em Moçambique, então... Vou arranjar maneira de ela vir para cá. Aliás, o meu filho diz que gostava que ela viesse para o colégio com ele. - Quem é essa menina, a sua afilhada?- É uma menina muito bonita, que se chama Rosa, tem mais um ano que o meu filho e é órfã de pai... Isto vem na sequência de um projecto que foi feito cá em Portugal, no âmbito do qual pagamos os estudos de várias crianças. O Afonso diz que gostava de ter aquela irmã, mesmo sendo africana. Ele já viu a fotografia dela e diz que, como é afilhada, tem um bocadinho de filha também. - Adoptar a Rosa faz parte dos seus planos?- Foi um projecto que começou agora e pode ser que eu consiga vencer as barreiras dentro do casamento, porque o meu marido ainda não está convencido, mas acho que é uma questão de tempo. Ele não é uma pessoa que pense, para já, em adoptar, mas eu sou muito persistente. Esse é um sonho meu, adoptar. É uma mania que tenho desde os 15 anos. Na altura tinha namorado e dizia-lhe sempre que se ficássemos juntos iria adoptar uma menina africana, porque achava fascinante, independentemente de poder ter filhos ou não. Aliás, tenho um filho biológico com o qual correu tudo bem. Mas, independentemente disso, gostava muito de adoptar. - E gostava de ter outro filho biológico?- Gostava, mas não para já, talvez mais tarde. Acho que é um privilégio ser mulher e poder ser mãe. - Trabalha e vive com o seu marido. Qual é o segredo para um casamento funcionar nesses moldes?- É sempre mais complicado... Desde que estamos juntos, há cerca de dez anos, que passamos muitas horas juntos... O segredo é dar e ter espaço, ter máxima liberdade e responsabilidade. Eu sou um bocado à antiga... Acho que ninguém é obrigado a estar com ninguém e aqueles casamentos de fachada não são comigo. - A Teresa aparenta ser uma pessoa muito descontraída e de bem com a vida...- E sou. Ainda não cheguei à barreira dos 40 e não tenho problema algum em dizer a minha idade. Acho que as mulheres são como o vinho do Porto, quanto mais maduras, melhor. E sobretudo aquelas que sabem envelhecer... - E a Teresa está a saber envelhecer?- Acho que sim. A idade é uma coisa a que eu não dou grande importância. Nem sinto. Acho que há coisas que faço muito melhor agora do que fazia aos 20 anos. Só gostava de ter outra vez 20 para ter outro tanto para fazer. Soube envelhecer e sinto-me bastante melhor do que quando tinha 20 anos. - Já recorreu a algum tipo de cirurgia estética?- Não, mas acho bem que as pessoas o façam. A mim faz-me alguma aflição a nível de rosto, porque é um bocadinho o espelho daquilo que somos. Contudo, tenho os meus cuidados com a imagem. As pessoas devem ser livres de fazer aquilo que quiserem. E, principalmente, devemos fazer tudo para sermos felizes. - Faz de tudo para ser feliz?- Eu acho que sim, pelo menos tento, porque vivo muito bem comigo. Quando não estou com outras pessoas, é por opção, o que é bom, porque me tolero. [risos] Temos o direito de ser felizes, a ter tudo, e se vivêssemos mais a nossa vida e deixássemos a dos outros, as coisas evoluiriam muito melhor. - São esses valores que passa ao seu filho?- São. Tento mostrar-lhe um pouco o que é a realidade, que à volta dele há um mundo... Ensino-o a respeitar os animais, as pessoas que são diferentes, os idosos... e ele vai aprendendo a fazer isso. Ele é muito solidário, ainda no outro dia queria dar um par de sapatos a uma sem-abrigo que viu. Sinto-me muito orgulhosa dele e mimo-o muito. Por iniciativa dele, muitas vezes escolhe brinquedos e roupa para dar.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras