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Rita Ribeiro: "A vida voltou a dar-me aquilo que mereço"

Redacção Caras
25 de junho de 2008, 00:00

Pela mão do encenador Filipe La Féria, a actriz Rita Ribeiro regressa este mês aos palcos, no musical Um Violino no Telhado, com estreia marcada para o Teatro Rivoli, no Porto. A actriz interpretará uma mulher do campo, sofrida, cáustica, mas com um amor incondicional pelos filhos. Distantes os tempos mais conturbados por que passou a nível pessoal, a actriz sente que está a iniciar um novo ciclo na sua "vida abençoada" e que continua "a viver feliz". A preparar-se para uma longa temporada na Invicta, Rita está à procura de uma casa, porque já sente saudades da filha mais nova, Maria David, de 11 anos, que irá juntar-se a ela assim que o ano lectivo terminar. Entusiasmada com a personagem que se prepara para encarnar no palco, diz que espera a melhor reacção do público portuense, que considera "muito caloroso, afectuoso e espontâneo", como disse à CARAS a poucos dias da estreia. - Esta sua personagem, a Golde, não é propriamente uma mulher sensual e atraente, como aquelas que está habituada a representar...- Agrada-me muito esta mulher e estou absolutamente apaixonada por esta personagem. Dentro de mim também há uma mulher do campo! [risos] Aquilo que as pessoas estão habituadas a ver de mim são várias Ritas, várias perspectivas. - Está preparada para uma longa temporada no Porto?- Estou preparada para tudo o que de melhor a vida tem para me dar! Eu adoro o público do Porto, é muito caloroso, afectuoso, espontâneo. - Como tem sido trabalhar com o Felipe La Féria, tendo em conta que no passado já tiveram as vossas desavenças?- É maravilhoso trabalhar com ele. É absolutamente pacífico e tenho uma enorme admiração pelo criador que ele é. É um irmão. Aceito-o com todas as qualidades e com todos os seus defeitos. Tenho um amor incondicional com ele. Eu sou a mãe! [risos] Cheguei a um ponto da minha vida em que pratico muito isso, o amor incondicional, que me dá uma enorme serenidade e paz. - E com o elenco da peça, como tem sido a relação?- O José Raposo é meu afilhado de profissão e é uma dádiva trabalhar com ele, é um grande actor. Estreou-se comigo e é um dos grandes amigos que tenho dentro da profissão. É muito gratificante e uma dádiva para mim trabalhar com um elenco que tem um nível de harmonia magnífico e uma qualidade extraordinária. Estou absolutamente apaixonada pela peça, pelo elenco e pelo meu papel. Sinto que temos na mão um sucesso! - Desse elenco faz parte o Hugo Rendas, com quem viveu. Como tem sido?- É maravilhoso. Somos irmãos. Foi um bom encontro da minha vida e continua a ser, nada mudou, a não ser a casa. Só houve uma transformação de relacionamento, mas continuará a ser o meu grande amigo de sempre, por quem tenho enorme admiração. Nada melhor do que estarmos a trabalhar com uma equipa em que toda a gente se dá bem. - Sabe que há quem diga o contrário, que o vosso relacionamento não é dos melhores?- As pessoas dizem aquilo que quiserem, nós não podemos nunca calar as bocas do mundo. Devem ser pessoas que não estão de bem consigo próprias ou que não compreendem que uma relação possa ser transformada e que o amor é uma coisa eterna que vai para além de tudo. O Hugo foi um grande encontro da minha vida que eu preservo e estimo. - Que não terminou como nas histórias infantis: "e viveram felizes para sempre". Gostava que isso já lhe tivesse acontecido?- Eu continuo a viver feliz. Eu sou o amor! [risos] Mas a vida faz-se caminhando. Não penso nisso, o que passou é passado, foi importante, mas o presente é um presente, e é isso que eu vivo, o momento. É evidente que sonho, que tenho projectos e objectivos, mas tenho um propósito na vida, que é caminhar. Sou uma mulher de paz, determinada, entusiasta e tenho muito brio naquilo que faço, porque me apaixono pelas coisas. ­Não sente falta de um ombro?- Não sinto falta de nada, aquilo que nós não temos não nos faz falta. Mas quando temos, é bom. [risos] Não me quero precipitar, quero estar disponível, porque sei que esse momento vai chegar e na altura vou saber quem é. As pessoas passam a vida a preencher os seus vazios e carências e eu não tenho nenhum vazio para preencher. O grande amor que se tem somos nós próprios, por nós próprios, então, sim, estamos prontos para amar os outros. Sou uma mulher com muita sorte, porque a tenho construído. Acreditar que a vida tem coisas boas para nós traz-nos coisas boas. Eu já vivi amores santos, absolutamente santos, de identificação, de almas gémeas, portanto, outro amor que haja para mim, e com certeza que há, irei reconhecê-lo. Mas não me faz falta e não é por falta que ele vai acontecer na minha vida, é porque tem que ser. Na minha vida, corri sempre à frente das emoções, porque não as queria reconhecer, mas a partir da altura em que as reconheci e neutralizei, fiquei serena e em paz. Sei que o que é meu a mim vem ter. - Há dois anos passou uma fase menos boa a nível financeiro, contraiu algumas dívidas. Fez sempre questão de o assumir. Já conseguiu superar essa situação?- Isso diz-me respeito a mim e acho que na altura até se falou de mais acerca disso. Eu abri muito o véu da minha vida e há dois anos fiz uma promessa a mim própria de falar só a nível profissional. - Está numa fase de trabalho intenso, isso preenche-a, deixa-a feliz?- Tenho o maior dos prazeres na minha profissão. O trabalho traz-me uma grande satisfação. Sinto que a vida voltou a dar-me aquilo que eu mereço. Voltei ao meu campo, e isso foi uma nova oportunidade que a vida me deu. A vida é um mar de possibilidades. Estou muito grata pela fase menos boa que tive, deu-me a conhecer uma Rita de que estou a gostar bastante e estou a ter os frutos disso. Estou muito satisfeita por estar a trabalhar com o Filipe e sinto que estou a começar um novo ciclo da minha vida. E a vida é mesmo isso, ter essa capacidade de ressuscitar, de renascer, é isso que é maravilhoso nela. É o grande ensinamento que Cristo nos veio dar. Sinto que é uma nova Rita que está aqui, com todo o historial, tirei o melhor de tudo e acho que, como ser humano, estou cada vez melhor. Estou muito contente comigo, porque posso dar mais aos outros. Aquilo que eu tenho é melhor para dar aos outros e acho que isso se vai notar muito no palco, porque o palco é exactamente isso, é o espelho da vida. - O que é que ainda gostaria de construir?- Imensas coisas! [risos] Gostava de viver bastantes anos, mas gostaria de continuar a fazer teatro. Gostava de viajar, de ter a possibilidade de construir qualquer coisa que tivesse que ver com crianças, uma missão humanitária. Gostava de ter um canil, porque adoro cães e de ter mais tempo para contemplar. Eu trabalho há 35 anos e isso é uma coisa que eu gostaria de fazer, não por necessidade, mas sempre por prazer. - Adoptar uma criança continua a ser para si um desejo?- É... Tenho pena de não poder ter mais filhos. Mas a vida é generosa e, neste momento, tenho o privilégio de ter ganho nove filhas nesta peça, porque são cinco filhas, mas como duas são pequeninas, temos três elencos para esses papéis. De repente ganhei nove filhas nesta peça, talvez as que eu gostaria de ter neste momento. Não vejo a minha vida sem crianças e o meu sonho é continuar a estar rodeada delas. Não sei como é que a vida me vai proporcionar isso, mas sei que vai acontecer, porque tudo acontece quando nós formulamos, tanto o bom como o mau, e eu formulo isso com muita intensidade. A inocência das crianças está em sintonia com a minha criança interior, que nunca deixei que adormecesse. A inocência é a única coisa na minha vida que é intocável. - Considera-se uma das maiores actrizes do nosso país?- Nós nunca sabemos muito bem aquilo que somos e não me sei definir nesses termos. A única coisa que eu sei é que quando estou a ser actriz, me sinto realizada e plena. O meu 'ser' fica a rejubilar de plenitude e o meu coração canta muito, fica satisfeito. A vida só tem sentido se pudermos estar ao serviço uns dos outros e esta é a função que a vida me deu para chegar a esse propósito. Acho que sou boa actriz, sim, mas porque sou a pessoa boa que sou. Nós, os actores, somos uns palhaços, com uma loucura extraordinária! Nós somos os palhaços de Deus! Eu nasci dentro deste mundo e não quero outro. - É uma mulher cuidada. O envelhecimento preocupa-a?- Ocupa-me, não me preocupa. Como diz o (Ivo) Pitanguy, extraordinário é ser uma mulher de 50 anos feliz, e isso eu sinto-me! Quero envelhecer com qualidade e morrer carregada de saúde. O grande segredo para o envelhecimento é a aceitação de nós próprios. - Numa entrevista à CARAS disse que "o que aparece nas revistas é a parte estética". Surpreenda-nos: que segredos é que guarda?- Nenhuns, sou uma pessoa simples. Pratico meditação, faço ioga e caminhadas diárias. Tenho as minhas leituras, orações, os meus apelos e as minhas conversas com o Universo. Isso dá-me serenidade e faz com que ouça o meu coração. Nós somos os autores da nossa vida e devemos estar em sintonia com o que o Universo tem para nos dizer.

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