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Nuno Braamcamp: "Pensei em reformar-me e a minha mulher ameaçou divorciar-se"

Redacção Caras
4 de junho de 2008, 00:00

Os quase dois metros de altura e a voz tonitruante de Nuno Braamcamp podem assustar quem não o conheça, mas, minutos depois de um primeiro contacto, é impossível não simpatizar com o advogado e despachante oficial de alfândega que há oito anos é co-produtor do Rock in Rio-Lisboa, através da empresa Ritmos & Blues, que partilha com "o meu amigo Álvaro Ramos", como faz questão de frisar. Casado com Maria Adelaide e pai de dois rapazes, Nuno, de 48 anos, advogado, e Miguel, de 34, formado em Finanças e Economia, e de uma rapariga, Ana Cristina, de 28, directora de Marketing numa unidade hoteleira, Nuno Braamcamp formou a Ritmos & Blues há 20 anos. "Gosto imenso do que faço no meio da produção de espectáculos de música, mas jamais deixarei a minha primeira profissão, a de despachante, e que mantenho há 51 anos. Houve uma altura em que pensei reformar-me, mas a minha mulher ameaçou divorciar-se e a minha filha disse que saía de casa. Elas sabem que adoro trabalhar e que não saberia estar sem a minha profissão", contou, ao sabor das suas características gargalhadas.Filho de pai austero e mãe amorosa, cuja morte, há uma semana, veio ensombrar os seus dias, Nuno Braamcamp assinou contrato com Roberto Medina para trazer o festival para Lisboa "sem sequer ter falado com o Álvaro. Tive uma reunião com o Roberto Medina e três minutos depois estava a dizer-lhe que sim ao Rock in Rio. Tem sido um êxito e não estou arrependido", explicou o também director da tenda VIP do festival, e que se prepara para exercer o mesmo cargo na edição espanhola, que vai ser no final de Junho, em Madrid.Nuno Braamcamp está habituado à pressão do mundo em que se move e que depende muito dos caprichos das estrelas. O espectáculo de Tina Turner foi o primeiro megaespectáculo da Ritmos & Blues, mas ao nosso país já trouxe nomes como os U2, Michael Jackson, Police, Bryan Adams e Rod Stewart, entre tantos outros.Globetrotter do desporto em jovem - praticou voleibol, andebol e ténis -, é hoje um verdadeiro globetrotter da produção de espectáculos. E apesar de gostar desta actividade, garante: "Tenho uma profissão que adorei desde o primeiro dia. Ao mesmo tempo continuei a estudar e formei-me." Nuno tinha 18 anos quando começou a trabalhar, porque, conta, "o meu pai, que era implacável com a disciplina, não gostava que eu chegasse tarde às refeições e acabou por me mandar comer a sopa de pé. Eu era desportista e os treinos prolongavam-se, essa era a razão para eu chegar tarde. Ele não quis aceitar e, na mesma noite em que se zangou, saí de casa. No dia seguinte já tinha arranjado emprego, o mesmo que tenho hoje, aos 69 anos".Apesar da intransigência do pai, Nuno Braamcamp lembra que aquele - comerciante e empresário de renome - o recebeu como se nada tivesse acontecido no Natal seguinte à sua saída de casa. "Ainda hoje tenho muitas saudades dele, que já morreu. E, infelizmente, perdi a minha mãe há pouco mais de uma semana", rematou o co-produtor do Rock in Rio-Lisboa.

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