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Alexandra Borges nomeada para prémio internacional

Redacção Caras
4 de junho de 2008, 00:00

Desde que foi mãe dos gémeos Tomás e Vicente, de quatro anos, fruto do seu casamento com Luís Almeida, Alexandra Borges mudou. A jornalista, que fazia jornalismo de guerra, deixou de o fazer, centrando a sua atenção em temas relacionados com as crianças. E foi esta mudança que a levou ao Gana, em Setembro. Depois de ler uma reportagem num jornal americano, a jornalista tomou conhecimento das crianças que são vendidas como escravas naquele país africano e que perdem a infância no meio das 14 horas diárias de trabalho no Lago Volta.O resultado desta sua ida a África foi uma reportagem que está nomeada para o grande prémio de documentário num festival de televisão que se vai realizar no Mónaco, na próxima semana. A jornalista falou com a CARAS sobre este desafio que tem originado vários projectos de solidariedade, entre eles o livro que lançou em parceria com a Fundação Luís Figo, e o CD, que contou com a colaboração de vários artistas. - Esta reportagem, Infância Traficada, não foi só mais um trabalho...- Foi um trabalho que mexeu muito comigo. É a reportagem da minha vida. E espero ter mais reportagens como esta, porque mudou a minha vida como pessoa, mulher e mãe. Mudou muito a forma como olho para as coisas e essa grande transformação não foi só a nível jornalístico. O meu marido costuma dizer que vim do Gana um bocadinho virada ao contrário. E não podia vir da mesma forma. - Foi uma surpresa ser nomeada para este festival?- Fiquei surpreendida e muito contente. É um festival muito sério, pode dizer-se que os prémios são uma espécie de Emmy da Europa. É muito difícil sequer ser admitido a concurso, quanto mais ser nomeado. Tem reportagens de todo o mundo, por isso, quando recebi o e-mail da organização a dizer que estava nomeada, fiquei muito contente. É uma oportunidade única de falar com 300 jornalistas acreditados sobre esta questão do Gana, que podem divulgar o que se passa. - Por que é que decidiu pegar neste tema?- Tomei conhecimento desta situação no Gana, quando li uma reportagem no New York Times, e, depois de sermos mães, há questões que nos tocam de outra forma. E tudo o que envolva crianças, tendo eu os meus filhos em casa, e tentando todos os dias criá-los de forma livre e saudável, ver uma coisa destas não me pode ser indiferente. Tive de fazer de tudo para informar as pessoas sobre esta situação. É triste nem sequer se saber que há crianças que são vendidas pelos pais para trabalharem na pesca, sem receberem um tostão, que trabalham 14 horas por dia, sete dias por semana. A infância é roubada a estas crianças. Se eu não visse, também não acreditava. Saí de lá e os olhos delas estavam fixos em mim. Fiz esse compromisso com elas, de que iria voltar, iria ajudar. Elas diziam uma coisa que me marcou: "Ninguém se lembra de nós." - E a Alexandra já foi muito mais além do seu papel de jornalista...- Já ultrapassa os limites do jornalismo. Mas eu também não tenho nada essa visão do jornalismo objectivo. O jornalismo tem de ser social e interventivo e, a partir daí, se eu faço uma denúncia, não me posso desligar do caso depois da reportagem. As pessoas não são descartáveis. A primeira coisa que fiz, como cidadã, foi escrever a entidades oficiais e extra-oficiais a denunciar a situação no Gana. Eu escrevi para a UNICEF, para a ONU, para a União Europeia, porque sou cidadã, mãe e mulher.Aquelas crianças têm a idade dos meus filhos. Não é possível! É uma questão pessoal. Sou um bocadinho sonhadora, mas acredito que podemos mudar a vida das pessoas todos os dias. Acredito que uma daquelas crianças possa vir um dia a ser presidente do Gana e acabe com aquela situação. - Como é que surgiu a ideia de lançar estas campanhas de solidariedade?- Fiz disto uma prioridade na minha vida. E avancei com alguns projectos, cujos lucros revertem para esta causa, para regressar ao Gana e participar no resgate de algumas dessas crianças. E se tudo correr bem, vou fazer pessoalmente esse resgate no final deste ano. É preciso empenho, porque é fácil desistir. Tive de mobilizar muitas pessoas, pedir muitos favores, mas todos entenderam este apelo. Houve telespectadores que ficaram sensibilizados com a causa e que me enviaram cheques em meu nome para resgatar crianças. Percebi que não podia gerir dinheiro e então falei com a Fundação Luís Figo, que me ajuda. E as pessoas podem ter a certeza que o dinheiro vai lá parar e pela minha mão.

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