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No ano em que comemora o seu centenário, Manoel de Oliveira é homenageado em várias partes do mundo

Redacção Caras
19 de maio de 2008, 00:00

O cinéfilo nasceu em Dezembro de 1908, no Porto, e cedo revelou o interesse pelo mundo do Cinema. Mundo que hoje trata por tu, destino traçado, sangue que parece correr-lhe nas veias. Com vinte anos inscreveu-se com o irmão, Casimiro de Oliveira, na Escola de Actores de Cinema e participou como figurante no filme Fátima Milagrosa (1928) de Rino Lupo. A partir daí não mais parou, quer fosse a desempenhar papéis nos filmes de alguém, quer fosse a rodar as suas primeiras obras. Em Setembro de 1931 estreou a versão muda do seu primeiro filme: Douro, Faina Fluvial, que provocou grande choque à crítica e fortes aplausos vindos do estrangeiro. Manoel de Oliveira revelar-se-ia um génio do cinema, que ia convertendo cada vez mais entusiastas. Em 1940 filma a sua primeira longa-metragem - Aniki Bobó. Os filmes sucederam-se quase ininterruptamente, e é nos anos 60 que se consagra no plano internacional, com as suas primeiras homenagens. Primeiro no Festival de Locarno em 1964 e depois com a passagem da sua obra na Cinemateca de Henri Langlois em Paris (1965). Recebe em 1980 a Medalha de Ouro pelo conjunto da sua obra, atribuída pelo CIDALC. Mais tarde, em 1985 voltou a ser galardoado com o Leão de Ouro pelo seu filme, Le Soulier de Satin, no Festival de Veneza. Desde 1987, quando fez o seu último documentário, A propósito da Bandeira Nacional, que tem mantido um ritmo imparável de produção (que se consagra numa longa metragem por ano), e tem recebido as mais honrosas menções, vindas de todo o mundo. Foi distinguido em Veneza (1991), em La Carmo (1992), em Tóquio (1993), São Francisco e Roma (1994), tendo conquistado grande prestígio mundial. Em 1995 a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) atribui-lhe o Prémio Carreira, no ano seguinte, a SIC e a revista CARAS, atribuem-lhe o prémio de Melhor Realizador. Este ano já foi homenageado nos Estados Unidos e conquistou a medalha de Ouro de Belas Artes atribuída pelo governo Espanhol. Em causa estão as comemorações do seu centenário. A iniciativa da Brooklyn Academy of Music (BAM) fez com que fossem divulgados mais de 20 filmes do realizador em seis estados daquele país. A primeira sessão deste ciclo aconteceu a 4 de Março na BAM, onde até ao final do mês se puderam encontrar vários sucessos do início da sua carreira, mas também a sua última obra - Cristóvão Colombo - o enigma. A retrospectiva do trabalho de Manoel de Oliveira passou ainda por Cambrigde, Los Angeles, e está agora a decorrer em Clevelando, onde permanecerá até dia 27 de Junho. Depois, aquela que é uma das maiores mostras do trabalho do realizador no estrangeiro, segue para Chicago e S. Francisco. Ao mesmo tempo que via o seu trabalho reconhecido por terras de sua majestade, Manoel de Oliveira foi também surpreendido pela atribuição de mais uma medalha de Ouro de Belas Artes. A homenagem veio da vizinha Espanha no dia 9 deste mês, e o cineasta afirmou-se "muito surpreendido" com o galardão. Em declarações à agência Lusa o veterano da sétima arte revelou que tem tido um grande reconhecimento de "toda a Espanha". O reconhecimento está mais do que visível e é mais que merecido, para aquele que é o mais antigo realizador do mundo em actividade.

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