Nas Bancas

Harrison Ford: "Não sou o único homem que mudou de vida aos 50"

Redacção Caras
14 de maio de 2008, 00:00

Aos 66 anos, Harrison Ford é, ainda, um dos grandes galãs de Hollywood. A idade parece não passar pela estrela de Hollywood, que começou por ser carpinteiro. Nesta entrevista, o actor revela como se mantém em forma e consegue desempenhar papéis tão arrojados como o do novo filme da saga de Indiana Jones - Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal -, que se estreia a 22 de Maio em Portugal. Ford fala ainda da forma como, há cerca de sete anos, se apaixonou pela actriz Calista Flockhart, com quem vive actualmente. O actor, que tem quatro filhos, dois do primeiro casamento, com Mary Marquardt - Willard e Ben -, e outros dois do segundo casamento, com Melissa Mathison - Malcolm e Georgia -, pretende agora perfilhar Liam, de sete anos, que Calista adoptou em 2001, antes de começarem o romance. - Já disse alguma vez 'estou muito velho para isso'?- Nunca. Isso é a coisa mais idiota que alguém pode dizer - tenha a idade que tiver. Fazemos ou esquecemos. É simples. - Mas as acrobacias que faz no novo Indiana Jones são, provavelmente, ainda mais arrojadas que as dos filmes anteriores...- Claro. Mas nos filmes anteriores estava focado no que tinha, ou não, coragem de fazer e no que as companhias de seguros me permitiam fazer. [risos] Normalmente não é uma questão de idade, mas sim de inteligência e boa forma. Pareço-lhe um homem velho? - De modo algum. Como diz o ditado: 'Somos tão velhos quanto nos sentimos', certo?- A nossa atitude perante a vida é o mais importante. Um verdadeiro homem não pode repousar sobre os seus louros. Tem de mostrar a sua energia e coragem todos os dias. E isto não tem nada que ver com ser um 'macho', mas com a responsabilidade que temos em relação a nós próprios e à nossa família. Mas claro que convém estarmos em forma. - Quer dizer que se "tortura" pelo menos três vezes por semana a trabalhar o físico para se manter em forma?- Não, isso seria demais! Mas jogo ténis duas vezes por semana com um verdadeiro profissional, que puxa muito por mim. Com esses jogos tento levar-me ao limite da minha forma física. É o que me mantém jovem e ágil. - E não sente inveja em relação aos actores mais novos?- De forma alguma. E não ajo como se fosse aquele que consegue fazer tudo no plateau. Uma vez sugeri ao River Phoenix (que tinha interpretado o papel de jovem Indy) para ser o Indy no terceiro filme da saga, mas, infelizmente, ele morreu. - Porque foram precisos mais de vinte anos para ser feito um novo Indiana Jones?- Devia perguntar ao Steven Spielberg e ao George Lucas, que foram quem fez os três primeiros. Mas como ambos trabalham nas coisas a cem por cento, investiram muito tempo só a fazer o argumento. - Queria mesmo fazer este quarto filme?- Aceitei num piscar de olho. Bastou um telefonema. Indy é uma personagem que adoro interpretar. É, provavelmente, o papel de que mais me orgulho. E neste filme interpreto o Indy vinte anos mais velho. Não há truques... - No início dos anos 70, apesar de já trabalhar como actor, continuava a fazer trabalhos de carpintaria...- Sim. Foi o meu trabalho como carpinteiro que me permitiu não ter de aceitar papéis menos interessantes. Algumas pessoas em Hollywood ainda devem ter armários ou mesas feitas por mim. E, na verdade, quando tenho tempo, ainda adoro fazer carpintaria. - Mas hoje é um dos actores mais ricos de Hollywood...- ... O que não tem nenhuma importância para mim. Isso é uma recompensa, mas não tem que ver com as minhas capacidades de representação. - E se não fosse actor?- Seria piloto. Adoro voar. É um verdadeiro treino de concentração, quase como meditação. Lá em cima sou anónimo. - Já salvou uma pessoa com o seu helicóptero...- Bom, não o fiz sozinho, mas é verdade, salvámos uma miúda de 20 anos que se perdeu em Table Mountain, perto do meu rancho, no Wyoming. Provavelmente, morreria de sede. - Fez muitas vezes o papel de herói. É também um herói na sua vida privada?- E interpretei variadíssimos papéis em que não era herói... Nunca me consideraria um herói. Mas sou seguramente um homem que faz o que tem de ser feito. - Separou-se da sua segunda mulher após 18 anos de casamento, naquele que foi um dos divórcios mais caros de Hollywood...- ... Sobre o qual não vou falar. Honestamente: isso é passado. Não sou o único homem que deu um novo rumo à sua vida aos 50 anos. E não serei o último. O que acontece é que a maior parte dos homens consegue fazê-lo sem cobertura mediática. - Esse divórcio foi a resposta para a sua crise de meia-idade?- Crise de meia-idade? Não sei. Sendo actor, sempre tive a oportunidade de me transformar noutras pessoas e ter vidas diferentes, mais que não seja pelo período em que estava a rodar o filme. Um dia, olhei para a minha vida e decidi mudá-la radicalmente. Mas não o fiz por causa de outra mulher. - E tornou-se o solteiro mais famoso dos Estados Unidos...- Sei onde quer chegar... [risos] mas conheci a Calista em pouco tempo e apaixonei-me por ela. Uma vez mais, tive muita sorte na vida.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras