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Claúdia Semedo: "Não há nada que nos prepare para o mediatismo"

Redacção Caras
14 de maio de 2008, 00:00

Ter uma actriz em casa não estava nos planos da mãe de Cláudia Semedo, que preferia que ela tivesse feito um curso "sério", mais parecido com os das irmãs, Lenira, de 27 anos, e Ivana, de 29, que se formaram, respectivamente, em Psicologia e Relações Internacionais. De tal forma que, ao contrário do pai, que sempre a apoiou, a mãe de Cláudia até ficou zangada quando a filha anunciou que ia para a Escola Profissional do Teatro de Cascais. Hoje as pazes estão mais do que feitas, até porque Cláudia Semedo tem mostrado que leva a sério o seu percurso. O teatro é a sua paixão - integrou recentemente o elenco de Lisboa Invisível, com o Teatro Meridional, e já está a ensaiar outra peça -, mas a sua actividade não se esgota aí. Para além de ter sido repórter nos programas Catarina.com, Flash e Êxtase, na SIC, e de ter experimentado o cinema no filme O Crime do Padre Amaro, ainda iniciou uma trilogia de livros infantis e dedica-se agora à rádio. Aos 15 anos tinha feito A Rádio Malta, na Rádio Renascença, e dez anos depois está de volta aos microfones: é a voz feminina do programa da manhã da Antena 3. Aos 25 anos, completados a 18 de Janeiro, Cláudia Semedo já tem uma experiência profissional do que a maior parte das pessoas da sua idade. Mas avisa que, apesar da jovialidade, considera-se a si própria "uma seca, de tão certinha". O último desafio, para além de nova peça, é mesmo a sua primeira casa, longe da família. - Com que idade é que entrou para a escola de teatro?- Entre os 14 e os 15 anos. Foi ali que senti as grandes dores de crescimento, porque o curso de teatro obriga a uma grande introspecção, a um grande conhecimento de nós próprios, até para estarmos preparados para abdicarmos daquilo que somos por forma a criarmos outras entidades. Foram três anos dolorosos, mas de um grande enriquecimento cultural. - Contrariamente aos medos da sua mãe, conseguiu fazer uma carreira...- Tive sorte e trabalhei para tê-la. Seis meses antes de terminar a prova de aptidão profissional, escrevi o meu currículo e enviei-o para tudo o que era produtora.Muitas das oportunidades de trabalho que vou tendo são criadas por mim, peças que produzo ou que peço ajuda para produzir. - Tem sido opção não fazer muita televisão?- Vou doseando. Tenho várias necessidades que me compõem e de vez em quando preciso de fazer apresentação, e este lado da rádio também tem que ver com isso. A televisão vai surgindo e muitas vezes na altura errada, como agora, que estou a fazer rádio de manhã e muitas vezes teatro até à meia-noite. Ficção em televisão é cansativo e até injusto porque tem-se muito pouco tempo para preparar e trabalhar. - Mas imagino que também seja cansativo estar a levantar-se todos os dias às cinco da manhã para ir para o ar às sete...- Nunca durmo muito quando trabalho, mas cinco da manhã é um bocadinho contranatura. Não sou uma pessoa de excessos e de grandes saídas. Fazem-me mais falta os jantares lá em casa ou com os amigos. Custa-me, mas tem sido uma experiência muito boa estar de microfone aberto na Antena 3. E, depois, tudo na minha vida tem acontecido no sítio certo e com as pessoas certas. Comecei no Teatro Nacional, em televisão foi com a Catarina Furtado, e de repente venho para a rádio e estou com o Nuno Markl e o José Mariño que, para além de serem excelentes profissionais, são pessoas muito positivas... - É positiva?- Sim, totalmente. Mesmo quando as coisas correm mal, penso que era porque tinha de ser e porque algo melhor me espera. E isso tem-me acontecido sempre. Tive imensa pena de não ter feito um filme que queria muito ter feito, mas depois surgiu-me a oportunidade de trabalhar com o Teatro Meridional, que é das companhias que mais admiro. - Conseguiu antever o mediatismo da profissão e lidar com ele?- Não há preparação alguma para ser figura pública e deveria haver acompanhamento psicológico, não só pela fama, mas porque temos de abdicar do que somos para sermos outras pessoas. Isso pode ser muito confuso para quem não tenha bases sólidas. - Sentiu necessidade desse acompanhamento?- Tive uma excelente preparação em casa e os meus pais sempre geriram muito bem os egos das três meninas. Na minha formação não senti essa necessidade e tenho uma relação muito equidistante com a fama. - Mas sabe que não é preciso fazer nada para estar nas bocas do mundo... O último Verão, em que foi fotografada aos beijos a Pacman, dos Da Weasel, foi um exemplo disso!- Foi uma situação muito triste na minha vida. Não me preocupa nada quando me fotografam com o Carlos Oliveira [o actor] e dizem que é o meu namorado, quando não é, porque da minha vida sei eu. O que nos diferencia é a maneira como estamos nessas situações. Mas sei que não se estava a referir ao Carlos Oliveira mas sim ao Carlos Nobre, dos Da Weasel... - Foi público...- Não me aborrece nada! Foi um momento da minha vida, não faz sentido desmentir, porque até há fotografias a comprovar, mas ninguém tem nada que ver com isso. Claro que falo da minha vida pessoal quando falo da minha família, agora sobre a vida amorosa, como é um terreno que não dominamos e como estamos sempre à procura do nosso grande amor, não me apetece falar disso. - Também foi pública a mensagem de amizade e carinho que o Pacman gravou para passar no dia dos seus anos na Antena 3...- Sim, ficámos muito amigos e acho que temos uma relação para a vida. O Carlos é uma pessoa genial com quem quero continuar a dar-me. Há pessoas que, porque nos vêem, pensam que estamos juntos, mas não, temos é um grande carinho um pelo outro.

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