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Ana Vital Melo: Uma mulher de causas que sabe ir à luta

Redacção Caras
30 de abril de 2008, 00:00

É jurista, mas também é a primeira mulher presidente de uma federação desportiva, a de kickboxing e muay thai. Movimenta-se num mundo de homens, mas confessa que já está familiarizada com isso. Não tivesse Ana Vital Melo, de 39 anos, sido também a única mulher na Comissão de Política Nacional da JSD. Além disso, tem desde muito cedo uma paixão por motas e defende com unhas e dentes os animais. É uma mulher de causas, que conta com o apoio de um namorado, de longa data, que lhe pergunta quando é que pensa em se casar e ter filhos. Planos que Ana pretende cumprir nos próximos dois anos. Foi no ringue, onde descarrega energias, que Ana Vital Melo conversou com a CARAS. - Depois de militante activa no PSD, como se tornou a primeira mulher presidente de uma federação desportiva?- Tudo começou há cerca de quatro anos, quando um amigo me convenceu a ir ao ginásio dele. Quando dei por mim, já estava numa aula de muay thai e gostei tanto que fiquei até hoje. Depois, passados dois anos, convidaram-me para me candidatar a presidente. Inicialmente, disse que não, mas ao comentar esse convite com o meu amigo Laurentino Dias, secretário de Estado, ele convenceu-me e acabei por aceitar. - Foi fácil a integração, visto ser a primeira mulher no meio?- Mais ou menos. Às vezes sentia-me acarinhada, mas por outro lado, quando foi para impor regras e fazer cumpri-las, foi mais complicado. Aí senti o peso de ser mulher. Acho que eles não queriam estar sob as ordens de uma mulher. A ideia de muitas pessoas era a de que eu seria uma presidente 'Barbie', que vinha apenas dar uma nova cara à federação e à modalidade. - E continua a ser assim?- Agora já não, porque perceberam que existe uma estrutura e regras e que quando não as cumprem, são castigados. - Foi sempre uma mulher num mundo de homens...- Sempre foi assim, até desde muito pequenina acabava por ser uma menina no meio de rapazes. Já gostava muito de motas e quando comecei a fazer snowboard também só tinha amigos, não tinha nenhuma amiga a praticar o mesmo, aliás, hoje em dia ainda é assim. E quando entrei na política, na Comissão de Política Nacional da JSD, era a única mulher. - Nunca se sentiu menos feminina por isso?- Não. Sempre gostei muito destes desportos mais radicais e nunca de brincar com bonecas. Gostava, sim, de brincar com o meu irmão, com os carrinhos. Já participei várias vezes em corridas de carros antigos, com o meu pai, e já corri no autódromo. Sempre tive um gosto mais associado às preferências de homens, mas nunca me senti menos feminina por isso. Sempre tive amigas muito femininas, que não têm nada a ver com este mundo, com quem vou às compras, viajo... - Sempre foi maria-rapaz...- Sempre. Quando era mais nova, a minha maneira de vestir não era feminina. Ainda agora, a coisa de que mais gosto é de vestir umas calças de ganga com uma t-shirt e um blusão de cabedal. É como me sinto mais eu própria. Mas com o tempo fui-me arranjando melhor. Trabalhar no Parlamento obrigou-me a mudar um bocadinho. Mas, fora isso, sempre achei que tinha um lado feminina. - Tem namorado?- Tenho. Namoramos há já alguns anos. - Como é que o seu namorado encara o seu trabalho?- No início, quando comecei a praticar, não lhe disse nada, porque estava com receio que ele dissesse: "Pronto, já vai para outra coisa só de homens." Mas não, reagiu bem e apoiou-me. Só que isto tira-me imenso tempo. Recebo não sei quantos telefonemas por dia da Federação e tenho de lá ir quase todos os dias, Tenho reuniões à noite, à hora de almoço e tenho imensos fins-de-semana com provas... enfim, não é fácil. Ele às vezes pergunta-me o que é que estou à espera de fazer da minha vida familiar, quando é que estou a pensar casar-me e ter filhos... - E então, para quando será isso?- Ainda não sei, mas talvez me case este ano e tenha filhos para o próximo. O meu namorado é uma pessoa muito importante na minha vida, sempre foi. Lembro-me que no início era ele que ia comprar roupa para mim, porque dizia que eu não podia andar sempre de ténis e calças de ganga. Foi ele que estimulou o meu lado mais feminino e agora sou uma consumista. - Vê-se no papel de mãe?- Vejo, mas só agora, porque nunca foi uma coisa de que tivesse muita vontade. Passou-me um bocado ao lado. Tenho dois sobrinhos que vêm todos os dias para minha casa e é uma delícia brincar com eles, aprender...Acho que acabaram por ser eles a fazer despertar em mim a vontade de ser mãe.

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