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Madalena Brandão: "Ás vezes acho que a profissão de actriz é viciante"

Redacção Caras
17 de abril de 2008, 00:00

A idade e a maturidade têm-lhe ensinado a lidar com a mediatização inerente à profissão de actriz. Aos 28 anos, Madalena Brandão é apaixonada pela vida e gosta, sobretudo, de desafios, por isso mesmo, não descarta a hipótese de um dia em que não se sinta realizada deixar tudo a favor de um sonho. - Já terminaram as gravações da novela Vila Faia, onde interpretou o papel de Ana Marinhais. Como correu a experiência?Madalena Brandão - Foi uma grande experiência. Estou muito entusiasmada com este projecto a todos os níveis: por aquilo que ele significa, não só por ser um remake da primeira novela portuguesa, mas também, e especialmente, porque sei que é um produto que foi feito com cuidado e com muita qualidade. Estou muito contente por fazer parte deste trabalho. - Sempre quis ser actriz?- Sempre gostei muito de representar, mas sempre achei que não seria uma profissão. Achei que funcionaria mais como uma terapia pessoal, onde me pudesse explorar e conhecer de outra forma. De repente, surgiu a oportunidade e, a partir daí, acreditei que poderia seguir esta carreira e continuei a investir na minha formação. O que quero mesmo é continuar a ter projectos que eu ache interessantes e desafiantes. - Não teria, então, problemas em mudar de profissão?- Nenhuns. O que quero é sentir-me preenchida, e até acho que um dia terei necessidade de fazer outras coisas, nem que seja em paralelo. Neste momento respeito muito a profissão, que levo muito a sério, e é isto que quero seguir. - Já sentiu, em algum momento, que a personagem que 'vestia' a estivesse a ajudar em algum aspecto?- Acho que isso funciona sempre em paralelo. As minhas experiências pessoais ajudam-me a construir as personagens, mas depois também aprendo com elas, mais não seja nas reflexões que vou fazendo. O trabalho de um actor é mesmo muito engraçado. Às vezes acho que esta profissão é viciante, pois é um desafio constante. - Alguma vez sentiu dificuldade em descolar da personagem?- Nunca. É normal que, se estiver a fazer uma personagem com uma linguagem corporal característica, no meu dia-a-dia acabe por utilizar algumas, mas na minha opinião fazem parte de mim, pois sou eu quem as cria. Penso muito na personagem, mas nunca confundi as coisas, nem sequer consigo imaginar que isso aconteça. - É sabido que não gosta da exposição mediática que a profissão traz, mas já aprendeu a lidar com isso?- Acho que sim, pois vou conhecendo cada vez mais os meus limites, assumindo-os, respeitando também e compreendendo melhor aquilo que faz parte da profissão. Aprendi principalmente a expor os meus limites, e isso também faz com que me sinta mais preparada e, consequentemente, menos agressiva para algumas questões que me coloquem. Hoje em dia acho que tudo se pode conversar, através do respeito, e as coisas têm corrido melhor. [risos] - Já alguma vez sofreu com essa mediatização?- Sofrer de ficar em casa com vergonha de sair, não. No geral, como não lido muito bem com isso, não fico satisfeita quando falam de mim. Não sofro com isso, só não me identifico. Não gosto de ver o meu nome associado a assuntos de natureza pessoal e, quando isso acontece, é normalmente mentira. Não costumo esconder nada, desde que não explorem, mas jamais esconderia um namorado, por exemplo. Como não dou importância e já não ligo a isso, é-me indiferente, a minha vida não passa por aí. Gosto mesmo é do meu trabalho e, fora disso, quero é viver a minha vida e aprender, crescer e aproveitar ao máximo. - Tirou o curso de tradutora-intérprete. O facto da profissão de actriz ser instável foi determinante para essa decisão?- Completamente. Tem que ver com o facto de gostar de fazer outras coisas, mas realmente a decisão de estudar foi pelos altos e baixos que esta carreira tem. O nosso mercado é muito pequeno e nem sempre há trabalho para todos. Hoje em dia, lido bem com isso, sendo que tenho contas para pagar, mas no dia em que tenha filhos, não quero ter essa corda constante na garganta, pois essa é realmente a sensação que temos. Há actrizes que eu admiro muito e que já vi aflitas sem trabalho. Não quero passar por isso, quero ter oportunidade de fazer outras coisas enquanto não haja trabalho na representação. - Há alguns anos, uma mulher da sua idade era quase certo que estaria casada e com filhos. Pensa nisso?- Gostava. Casada, penso que não, pois não faço muita questão, mas ter alguém, uma relação estável e filhos, gostava muito. Mas também é verdade que hoje em dia isso acontece cada vez mais tarde, e esse pode ser o meu caso. Espero eu! [risos] Ainda tenho muito para aprender, amadurecer e viver antes de pensar em ter filhos. - Sente-se uma mulher feliz e realizada, ou ainda é cedo para dizer isso?- Sinto-me bem, mas acho que nunca vou poder dizer que me sinto realizada. O importante é conhecer-me cada vez melhor e ter consciência do que me faz feliz, achando sempre que posso fazer mais e melhor. - E, actualmente, namora?- Não. - É imprescindível o equilíbrio da vida pessoal para que a profissional corra bem?- Sim, mas sinto que estou numa fase da minha vida bastante equilibrada e não preciso de namorado para tal. Quando estou bem, e sozinha, tudo corre naturalmente bem. - E o que é preciso para esse equilíbrio?- Não me distrair, pôr em prática as coisas de que naturalmente gosto, como ir, por exemplo, ao ginásio, que é algo que às vezes tenho preguiça de fazer, mas que depois me faz bem e me ajuda em todos os aspectos da minha vida. - É assumidamente independente. Custou-lhe quando saiu de casa do seu pai?- Sempre tivemos uma óptima relação e achava que quando desse esse passo iria sentir uma grande angústia, como se fosse quebrar com o passado. Mas foi facílimo e adoro viver sozinha. Dou-me superbem com a minha família. - A saída de casa é que foi o salto para o crescimento?- Acho que foi apenas mais uma etapa que faz parte da nossa vida. Ainda tenho muitos saltos para dar.

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