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Sandra Celas defende: "É muito difícil viver com uma traição"

Redacção Caras
24 de março de 2008, 00:00

Chega de mansinho, quase não se dá por ela: gosta de passar despercebida e resguardar-se. Dona de uma beleza serena e de uma sensualidade inata, Sandra Celas, de 33 anos, não se cansa de desbravar caminho rumo à felicidade. O sorriso rasgado com que nos conquista apenas esmorece quando fala da morte do pai, que aconteceu quando tinha 15 anos. Ainda assim, é com tranquilidade que fala deste momento doloroso em consequência do qual teve de aprender a crescer.Na Praia do Forte, na Bahia, a actriz, que veste a pele de Susana na novela Deixa-me Amar, foi contagiada pelo encanto da já apelidada praia dos sonhos, e à CARAS foi revelando alguns detalhes que preenchem a sua maneira de ser. Com o ilustrador António Jorge Gonçalves vive uma história de amor que quer manter, pelo menos para já, numa redoma à qual nem todos têm acesso, e este foi o único tema que deixou sem resposta.- É uma mulher misteriosa?Sandra Celas - [risos] Já tenho ouvido esse tipo de comentário. Não me considero particularmente misteriosa. O que acho é que sou um bocadinho reservada e pode acontecer que isso cause um certo mistério. Mas também sou um mistério para mim.- E isso é uma defesa ou é natural?- Se é uma defesa, já é orgânica. Mas é verdade que nunca deixei transparecer muito o que sinto.- Então racionaliza tudo o que lhe vai acontecendo na vida?- Acho que umas vezes sou muito emotiva e outras racional. Por vezes há alguma tensão que vem da fricção entre estas duas forças. Tenho um lado emocional muito forte, mas também tenho uma cabeça muito omnipresente e sempre a querer analisar, perceber e até controlar. Gostava de um dia conseguir fundir bem estas duas forças.- É impulsiva?- Bastante, em determinadas situações.- O seu lado emotivo leva-a a agir sem pensar?- Sim, mas em situações muito particulares. Preciso de estar muito confortável, sentir-me num ambiente que não me é hostil. Em privado sou mais solta.- A sua maneira de ser e estar costuma assustar as pessoas?- Depende. Sou reservada e, portanto, quando não conheço as pessoas, preciso do meu tempo. No entanto, também já me aconteceu olhar para uma pessoa, trocar meia dúzia de palavras e haver empatia. Acho que isso também se deve ao facto de ser muito tímida...- Timidez que perde à frente das câmaras...- Quando estou à frente das câmaras ou no palco, sou uma personagem, e eu, Sandra, estou escondida atrás da personagem, ou, pelo menos, justificada pela personagem.- Tem-se descoberto através das personagens que interpreta?- Completamente. Para começar, o actor, para trabalhar, precisa de um grande autoconhecimento, portanto, toda a fase de aprendizagem serve para isso. Depois, no processo de trabalho, o actor está sempre a confrontar-se com questões suas ou a pôr-se na pele de outra pessoa, o que faz com que vá buscar facetas ou qualidades suas que não estavam tão evidentes.- Entre a Sandra e a sua personagem em Deixa-me Amar, há coisas em comum?- Existe sempre algo em comum. No caso da Susana, ela é uma profissional muito zelosa da sua profissão, muito independente, e eu sou muito assim.- Mas na vida real chega ao ponto de, tal como na novela, prejudicar a sua relação amorosa por causa da profissão?- Pode acontecer. Por vezes apercebo-me que tenho de me resguardar um bocadinho. Há cenas intensas que acabamos por interiorizar de tal forma que não nos conseguimos desligar. Se for uma personagem mal-humorada e que viva situações difíceis, isso acaba por ter efeitos negativos. Tenho cuidado, porque realmente pode afectar uma relação.- Eles traem-se um ao outro. A si já lhe aconteceu trair ou ser traída?- Já passei por essa situação.- E como é que ultrapassou?- Acabei tudo na altura, mandei tudo à fava. [risos]- É sempre uma pedra no sapato?- Acho que é muito difícil viver-se com uma traição, mesmo a outros níveis. Uma pessoa depositar a confiança em alguém e sentir-se traída nessa confiança é um rude golpe na vida.- A fidelidade é importante?- Para mim é, mas cada pessoa é um universo e há outras maneiras de viver. Todavia, precisei de passar por isso para perceber que não seria capaz de superar. Devia ter uns 20 anos, uma fase em que descobri muita coisa.- Neste momento vive uma relação estável?- Neste momento estou bem, mas não quero partilhar esse lado da minha vida.- Alguma vez disse a alguém "deixa-me amar"?- Não com essas palavras, mas sim, já disse.- Expressa os sentimentos em relação às pessoas de quem gosta?- Sim, porque tenho medo de um dia não o poder fazer.- O que é que acha que é preciso para fortalecer uma relação a dois?- Acredito que seja preciso haver muito amor, muita cumplicidade, confiança e respeito. Se não existir amor, não sei se vale a pena, mas quando não há respeito pelo outro, quer dizer que também já não há por si próprio. Cada história de amor é diferente e há-de ter a sua receita. Hoje em dia acho que as pessoas são mais independentes umas das outras. Antes, a mulher ficava muito dependente do marido, hoje, as pessoas são mais individualistas, o que permite uma reacção imediata em caso de insatisfação.- Com a sua profissão, é difícil construir uma vida normal? Casar, ter filhos...- Acho que há uma inconstância, sim, acho que é uma profissão que é mais volúvel, mesmo a nível emocional e também a nível material, porque não há uma rotina, não há um contrato de trabalho. Se fosse infeliz e não fizesse o que gosto, não sei se seria capaz de me apaixonar.- A sua forte personalidade leva-a a alcançar tudo o que se propõe fazer?- Acho que tenho tenacidade. Acho que corro atrás daquilo que desejo mesmo. Tive algumas adversidades na vida e tive de lutar muito desde miúda. Luto até contra o medo de falhar, de não ser capaz de criar.- Regra geral, as adversidades ajudam-nos a amadurecer...- Isso é verdade e aprendi a usar a cabeça e a intuição para as ultrapassar...- E conseguiu?- A morte do meu pai foi devastadora. Nunca estamos pre-parados para lidar com a morte. Tinha 15 anos, estava no início da adolescência e foi muito duro. Não sei como ultrapassei, mas acho que tive muito carinho da parte dos amigos que me ampararam. A morte do meu pai fez-me pensar verdadeiramente no sentido da vida.- Esse confronto com a finitude da vida fê-la, como acontece com muita gente, procurar ser uma pessoa melhor?- Acho que é fácil esquecermo-nos disso, mas sem dúvida alguma que ter consciência da nossa finitude me leva a puxar o melhor de mim.

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