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Inês Castel-Branco

Redacção Caras
17 de março de 2008, 00:00

Começou a trabalhar aos 15 anos como modelo, mas é no papel de actriz que se sente feliz. Aos 26 anos, Inês Castel-Branco vive um dos maiores desafios da sua carreira ao interpretar o papel de uma prostituta, no remake da primeira novela portuguesa, Vila Faia. Não esconde que não gosta de falar sobre a sua vida pessoal, sobretudo da relação que mantém, há cerca de três anos, com Filipe Pinto Soares, e espera que o público a compreenda. Foi com a simpatia que lhe é característica que a actriz falou com a CARAS sobre esta nova fase que está a viver.- Como têm corrido as gravações da Vila Faia?Inês Castel-Branco - Uns dias correm melhor do que outros, principalmente porque sou muito exigente comigo própria...Acho que, no geral, tem corrido tudo muito bem. Não estava habituada a um ritmo tão alucinante, mas estou a adorar. Obriga-me a ser mais organizada!- Está a fazer o papel de uma prostituta, que, segundo sei, lhe deu muito trabalho de pesquisa... Como foi?- É um estímulo enorme ter de estudar para construir. A pesquisa foi tão importante para esta personagem que todos os dias me lembro de várias conversas que tive ou de excertos de livros que li. Procurei saber todos os termos, todos os rituais, o perfil dos clientes, o perfil dos proxenetas e, claro, o perfil das profissionais de sexo. Fui recebida por várias mulheres que, percebendo que eu não iria fazer nenhum juízo de valor, abriram o livro das suas vidas, todas elas muito difíceis, tristes, duras. Observei o que lhes custava contar aquele momento em que tomaram aquela decisão, a forma como falam da mentira, da discriminação, da falta de segurança, da falta de amor, do desejo de casar... Foi um estudo comovente e que me ajudou muito. Além disso, passei meses a ouvir fado, em especial a Mariza, e a passear nos bairros antigos alfacinhas... Adorei construir devagarinho a Mariette.- Foi difícil descobrir a sensualidade da personagem, ou o facto de já ter sido modelo ajudou-a?- Acho que as pessoas estão equivocadas em relação à questão da sensualidade. Normalmente, estas mulheres não têm grande auto-estima, não se acham bonitas... Todas elas vestem essa personagem para ir trabalhar. São aquilo que o cliente procura... durante meia hora.- Teve dificuldade em "usar" o seu corpo como instrumento de trabalho, apesar de ser ficção?- Confesso que as cenas com clientes não foram fáceis de fazer, principalmente porque este é o trabalho dela, ela tem de estar completamente à vontade... De repente estou em lingerie e tenho de ser extraprofissional... Confiei muito na equipa e na forma como foi feita a edição e não estou nada arrependida.- Faz par amoroso com o actor Albano Jerónimo. Como é a vossa relação?- Desde o primeiro dia que houve uma grande disponibilidade da parte do Albano para fazer um bom trabalho. E é muito bom trabalhar com ele. Sinto que estamos sintonizados. E queremos muito que as pessoas se apaixonem por esta história!- Em que é que este papel diverge dos outros que já fez?- Tenho tido a sorte de me confiarem papéis muito diferentes uns dos outros, mas a dimensão desta personagem faz com que ela não se compare a mais nenhuma outra que tenha feito. Já tinha ouvido alguns actores dizerem "aquele papel mudou a minha vida!" e ficava sempre a pensar como aquilo nunca me acontecera. Agora está a acontecer... e é tão bom!- O papel de protagonista exige mais de si?- Mais atenção, mais energia, mais espírito de equipa... só coisas boas.- Está preparada para o impacto ou para eventuais críticas por estar mais exposta com esta personagem?- Não sei! Sei que sinto orgulho no trabalho que estamos a fazer, todos juntos! E gostava que a história da Mariette comovesse os portugueses, como já o fez há 25 anos! É importante que me mantenha humilde o suficiente para ouvir as críticas. Quero melhorar todos os dias. E esta é uma profissão muito difícil. Sei que todos os dias posso aprender, e isso motiva-me.- A Mariette foi uma personagem marcante de uma novela marcante na história da ficção televisiva em Portugal. Sente-se orgulhosa por lhe ter sido confiada esta segunda versão?- Claro! Nunca pensei que me convidassem para este papel. Nem queria acreditar!- Foi um incentivo, mas também uma preocupação...- Nesta altura já passei por esses sentimentos todos, agora estou muito ansiosa para ver a reacção do público.- Ser actriz permite-lhe viver outras vidas. Sente esse facto como um privilégio e até como uma forma de escape da sua própria vida?- O facto de viver e conhecer outras vidas faz-me sempre perspectivar a minha... Nunca quis ser actriz, mas sempre respeitei muito esta profissão e sempre me fascinou as sensações que uma boa representação me causa!- Começou a trabalhar aos 15 anos e actualmente é uma das actrizes mais requisitadas da televisão portuguesa. O que já conquistou?- Nada! Não, minto: já aprendi alguma técnica e fiz alguns amigos.Ainda quero 'conquistar' muitos conhecimentos, quero aprender mais e sempre.- O mediatismo trouxe-lhe mais coisas positivas ou negativas? Se, por um lado, perde privacidade, por outro alimenta o ego. Concorda?- Todos os dias gostava de saber lidar melhor com o mediatismo. Na verdade, não gosto que olhem para mim, pode parecer estranho, mas não gosto nada. Não concordo que alimente o ego. Tem aspectos positivos. Acabo por receber o melhor das pessoas, no dia-a-dia, na mercearia, na rua... Embora não deixe de ser estranho, porque todas elas acham que me conhecem.- É sabido que não gosta de expor a sua vida privada. Essa é uma forma de se proteger a si e às pessoas que lhe são mais próximas?- Sim. Se é um sacrifício para mim, porque é que hei-de fazer isso às pessoas de quem mais gosto? [risos]- Já sentiu consequências a nível pessoal pelo facto de ser conhecida?- Não penso muito nisso, já passou a ser uma condição... Mas se um dia estiver com algum problema, posso sempre emigrar!- O facto de ser filha de Luísa Castel-Branco faz com que sinta mais necessidade de não abrir demasiado as portas da sua vida íntima?- Sim. Nesse aspecto gostava de ser mais como a minha mãe, mais descontraída.- Namora com o Filipe Pinto Soares há vários anos e ambos evitam falar da vossa relação. Não sente que essa curiosidade é inevitável quando se é uma figura pública?- Não me incomoda a curiosidade, mas também não pode incomodar os outros que a minha decisão seja não falar do assunto. Temos de nos respeitar mutuamente! Aquilo que quero mostrar é o meu trabalho. Quando vou ao contabilista, não me interessa saber quantas vezes é que ele já foi casado! E se me interessar ao ponto de lho perguntar, tenho de perceber se ele não quiser responder.- Gostava de ser mãe? É um objectivo a curto prazo?- Claro que sim! Tudo me tem acontecido na altura certa, por isso, estou tranquila em relação a isso. Aprendi a não fazer planos. É muito mais excitante!- E casar-se, faz parte dos seus planos?- Não. Citando John Lennon: "Life is what happens while you' re busy making plans!" ["A vida é o que acontece enquanto estás ocupado a fazer planos!"].

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