Nas Bancas

João Pedro Wanzeller: "Gosto de marcar a diferença, mas não sou metrossexual"

O autor do livro "O Diabo Também Veste Zara" revela aos homens alguns segredos para bem vestir e saber estar

Redacção Caras
12 de março de 2008, 00:00

Desde cedo habituado a vestir-se com rigor e de forma adequada às ocasiões, João Pedro Wanzeller criou um gosto especial pela moda. Aos 38 anos, o responsável de Marketing, Comunicação e Imagem da Euro Atlantic Airways decidiu lançar um livro que classifica como um manual para os homens. O título O Diabo Também Veste Zara, além da brincadeira óbvia com o bestseller O Diabo Veste Prada, identifica a mensagem que tenta passar: é possível vestir bem com pouco dinheiro.- Se lhe pedisse para me falar um pouco sobre si e o percurso de vida que o levou a escrever este livro, o que me diria?João Pedro Wanzeller - Foi um percurso longo. Venho de uma família com tradição e considerada, e tudo tem muito que ver com a educação e a cultura familiar que me passaram. Além disso, viajei muito, trabalhei muito no estrangeiro, em Milão, Paris, Barcelona, Nova Iorque. Enfim, foram mais de dez anos a viajar, dei três voltas ao Mundo. E tudo isso nos dá um know how, um conhecimento mais profundo. E depois, os países por onde passei são a base da moda masculina. Por outro lado, desde miúdo que me habituei a vestir bem. Os meus pais sempre tiveram muito cuidado com a indumentária, com aquilo que vestíamos para cada ocasião. E realmente penso que a base de tudo é essa cultura de família que vem dos meus avós.- E como surge este livro?- Este livro aparece quase como obrigação para os meus amigos, e, em especial, para as minhas amigas. Há três anos que ando a escrevê-lo e montei-o mais ou menos num ano. Está a ser uma experiência muito engraçada.- O que é para si vestir bem?- É estar nos sítios correctamente vestido. Porque vestir bem não implica ter roupa de marca. Este livro vai em oposição a O Diabo Veste Prada, porque mostra que com pouco dinheiro pode fazer-se exactamente o mesmo. Eu sempre me arranjei, fosse para jantares ou eventos, e sempre dei nas vistas pela simplicidade aliada à elegância. Agora, o importante é conhecermos bem o nosso corpo, porque o peso, por exemplo, não está ligado à elegância. Não é por se ser gordo que não se pode ser elegante. Tem é que se seguir um conjunto de normas adequadas ao corpo que se tem. E neste livro fala-se disso. Primeiro, aprendemos a conhecer o nosso corpo, depois, definimos o estilo, que no caso do livro é muito virado para o clássico, entre o conservador temperado e o urbano sofisticado. Depois, passamos para o nosso armário e a forma como podemos conjugar as peças. Tudo isto faz parte da elegância masculina.- Isso vai, de alguma forma, ao encontro do conceito de metrossexual... Identifica-se com o termo?- Não, nem pouco mais ou menos. Gosto de me arranjar bem. Os metrossexuais usam e abusam das boas marcas, gostam de cultivar o corpo e de o mostrar. Não, não sou um metrossexual. Gosto de marcar a diferença, mas de uma forma bem mais simples. Gosto de o fazer com pequenos pormenores. A verdadeira elegância é saber desviar os nossos defeitos para outro lado.- O livro defende que usar jóias ou acessórios não é determinante da orientação sexual de um homem...- Claro. Antigamente existiam uma série de conotações que hoje se desmistificaram. Pessoalmente, não uso jóias, porque não gosto, mas percebo que certos homens gostem e acho muito bem. Há uma frase no livro que diz: "Não há uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão." E é um pouco por aí. No fundo, um homem tem de ser elegante por fora e por dentro. E o livro aborda um pouco as duas elegâncias, interior e exterior.- Acredita na expressão "vestir para seduzir"?- Acredito piamente. Aí sou como os italianos, que se vestem completamente para seduzir.- Veste-se para seduzir?- Todos os dias. Mas não para seduzir num sentido sexual, mais para seduzir as pessoas em geral. Porque ao ter cuidado comigo, estou a respeitar terceiros. Acho que a falta de elegância é uma falta de respeito para com as pessoas com quem convivemos.- E já conquistou alguém pela primeira imagem?- Já conquistei muita gente pela primeira imagem. Talvez seja horrível dizer isto, mas já. Depois, é preciso ter tudo o resto, aquela parte mais interior. Mas o que é certo é que as pessoas gostam de uma boa primeira impressão.- O que procuram as mulheres nos homens?- Isso é uma pergunta que Freud costumava fazer e parte da resposta já está dada: as mulheres querem um homem novo. Todas as mulheres querem o príncipe encantado. No outro dia li uma coisa giríssima: "O homem procura a beleza, a mulher procura o compromisso."- Se tivesse de eleger um homem e uma mulher como exemplos de elegância e bem vestir, quem seriam?- A Maria Cavaco Silva tem uma imagem fantástica, tal como o próprio Presidente da República. Há outros dois nomes que destaco: Marcelo Rebelo de Sousa, elegantíssimo, sabe estar em todos os sentidos e é um homem cheio de charme; e Paulo Portas, que se tornou elegantíssimo com o passar dos anos e que usa adereços como poucos homens o fazem em Portugal. Saliento ainda os irmãos Pereira Coutinho. Nas mulheres, gosto muito da Vicky Fernandes e da Rosalina Machado, que é uma pessoa fantástica e superacessível com toda a gente, o que é também uma forma de elegância. Gosto ainda muito da Paula Nabais e da Catarina Furtado.- E a quem mudaria definitivamente o guarda-roupa?- Essa é complicada... Mudava o guarda-roupa a muita gente. Mulheres talvez não tanto, mas homens... Não posso responder a isso. Mas existem pessoas que vemos todos os dias na televisão e nas revistas a quem realmente mudava muita coisa. O Cristiano Ronaldo, por exemplo, tem um estilo moderno que tem tudo a ver com a idade. É muito urbano, fashion, gosta de mostrar e ganha dinheiro para isso. Agora, se me perguntar se o acho elegante, não, de todo. A imagem dele tem muito ruído. São coisas a mais. Mas é ainda muito novo, está a ganhar muito dinheiro, por isso compreende-se. De qualquer forma, seria um gozo mudar a imagem ao Ronaldo. "Sempre me arranjei e sempre dei nas vistas pela simplicidade aliada à elegância." "O importante é conhecermos bem o nosso corpo. Não é por se ser gordo que não se pode ser elegante." Desde cedo habituado a vestir-se a preceito para cada ocasião, João Pedro Wanzeller decidiu com o seu livro passar os seus conhecimentos aos homens que procurem o mesmo tipo de elegância. "Todos os dias me visto para seduzir, mas não num sentido sexual." O responsável de Marketing, Comunicação e Imagem da Euro Atlantic Airways lecciona etiqueta e protocolo em várias escolas de manequins e toma conta da assessoria de imagem de algumas empresas. "Seria um gozo mudar a imagem ao Cristiano Ronaldo."

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras