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Decoração: A família em primeiro lugar

Na região da Arrábida, a designer de interiores Filipa Lobo edificou uma casa à medida da sua família e do conforto que ela exige. Um estilo étnico-moderno para uma vivência feliz.

Teresa Mafalda
18 de novembro de 2012, 20:00

Antes mesmo de se iniciarem as obras, já Filipa andava empenhada em descobrir, sobretudo em armazéns de demolição, portas antigas, com 2,60m de altura, telhas portuguesas, cantarias e outras pedras antigas, um conjunto de elementos característicos da tradicional construção pombalina, que tanto admirava e ambicionava aplicar em casa. Filipa sonhava instalar ali, numa construção de raiz, alguns princípios que norteiam os edifícios pós terramoto de 1755.
Tinha acabado de deixar um apartamento no centro de Lisboa que apresentava, à vista, a conhecida gaiola pombalina. Era um edifício remodelado, mas com uma cave que ainda mostrava alicerces com arcos em alvenaria de pedra, e adorava lá morar. Contudo, a família aumentara e o apartamento já não respondia às atuais necessidades.
A chegada de gémeos obrigou o casal a definir novo rumo. A opção recaiu sobre a compra de um terreno na região da Arrábida com a construção de um edifício de raiz que, no entanto, a família tencionava adaptar à medida do seu gosto, nada partidário de casas estandardizadas, todas iguais, e mais defensor de interiores com alma e história. "Normalmente as casas têm 2,70m de pé-direito, a nossa acabou por ficar com 3,20m e com pormenores menos convencionais", admite Filipa.
Num total de 300m, a moradia desenvolve-se em três pisos, a somar a um amplo espaço exterior com piscina. No térreo, estão os espaços sociais: sala, escritório, cozinha, quarto de brincar e casas de banho. No segundo andar, a área íntima com três quartos e respetivos compartimentos de higiene. A zona de serviços está situada na cave.
Desde sempre ligada ao mundo da decoração, Filipa Lobo, além de proprietária da Arboretto, conhecida loja de interiores da capital, desenvolve vários trabalhos de design de interiores, por isso, foi com redobrado interesse que assumiu o projeto da casa nova.
Desafio primordial para a profissional? Con­trariar aquela ideia preconcebida de que numa casa com grandes áreas as pessoas se dispersam, raramente se cruzam e pouco convivem.
Por isso, aqui, a planta privilegia as zonas sociais, regista uma cozinha generosa, com ilha e mesa de refeições, e acesso direto ao exterior, onde se destaca uma grande mesa e agradável zona de barbecue. A sala comunicante liga vários espaços entre si, sala de jantar, de estar, escri­tório e circulação para a piscina, "esta é uma típica casa de família, somos quatro e estamos sempre juntos, de inverno, nas várias salas (jantar e estar), junto à lareira que é dupla, de um lado virada para os sofás, do outro, para o escritório, onde estou frequentemente. No verão, passamos muito tempo lá fora a usufruir da piscina e do barbecue".
Enquanto coração da casa, a sala foi disposta muito em função desse espaço de lazer exterior, o mobiliário é confortável e obedeceu apenas a uma premissa, o gosto da família, em particular da designer de interiores: "tem de haver um gosto pessoal quando se compra uma peça, independentemente de se preferir uma marca ou loja determinada, sem esse pormenor subjetivo, as casas não resultam", reconhece a profissional. Aqui, Filipa teve carta branca para fazer as escolhas em função das peças que mais aprecia: "como visito frequentemente feiras internacionais e um pouco por toda a parte, comecei a comprar objetos que fui guardando, mesmo antes de estas obras começarem. A decoração acabou por ser pensada 'ao contrário', muito de acordo com as peças que fui colecionando", reconhece.
Gosta da mistura, da fusão de materiais e muito de madeiras que, conjugadas com estofos, "transmitem calor, conforto", o que justifica a presença de uma série de peças de proveniências diversas. Por lá se encontra, por exemplo, numa das casas de banho, um candeeiro feito com o material de antigos cestos de pesca chineses, mesas orientais, manufaturadas com madeiras de demolição ou recuperadas de velhos barcos, alguns tapetes marroquinos, sem esquecer móveis que estão na família há gerações. Somam-se algumas descobertas acidentais, muito por culpa de olhos treinados e curiosos que veem nesses objetos deixados na rua novas funcionalidades e até outros que se trans­formaram em curiosas adaptações. É o caso de um aparador, agora transformado em bancada na casa de banho social ou de uma manjedoura que abandonou a sua função inicial, serve como base para uma enorme mesa, com tampo em vidro transparente, instalada na zona de barbecue.
No fundo, a atualidade exigida pela vida moderna e o respeito pela tradição podem ajudar a definir a casa e a justificar também premissas de conforto e de partilha familiar. Na união destes elementos ficou ditado o caminho a seguir.

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