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Decoração: Valores estéticos em Lisboa

Em Lisboa, uma explosão de cor num projeto de Rui Ehrhardt Soares assente em interiores que reúnem classicismo e modernidade, refletindo um estilo de vida contemporâneo, sofisticado.

Patrícia Rocha
14 de outubro de 2012, 19:00

Este apartamento, de tipologia T3, situa-se em Lisboa, numa avenida dos anos 50, num 8º andar com vista parcial para o rio Tejo, estando inserido num edifício novo, concluído em 2011, e contando com uma área útil de 112m. Após a sua aquisição, o proprietário confiou o projeto de interiores a Rui Ehrhardt Soares. "O espaço, apesar de novo, tinha infelizmente os acabamentos tão habituais nos dias de hoje, elementos incompatíveis com a minha visão estética e com o ambiente que se pretendia criar", refere o profissional. "O cliente, um homem na casa dos 40, tinha um requisito, queria expor neste apartamento a sua vasta coleção de escultura de várias origens e de pintura, essencialmente portuguesa do século XX até aos dias de hoje, por forma a fazer parte integrante da decoração", prossegue.
Um bom plano de obra revelou-se meio caminho andado para o sucesso na reinvenção dos interiores. "A intervenção a nível de obras consistiu na alteração de vãos, alterou-se a localização de algumas portas, anularam-se outras, construção de armários perfeitamente dissimulados no espaço, reformulação total de casa de banho, substituição de pavimentos, redistribuição de pontos de luz e pinturas".
Seguiu-se a decoração, com base no melhor dos anos 70: "Cores fortes e saturadas, como o azul esverdeado da sala em contraste com laranjas ou a mistura improvável de tons no escritório (beringela, laranja e encarnado) a contrastar com o ébano de Macassar das portas dos armários que revestem as paredes, o verde esmeralda no quarto de hóspedes ou o azulão da suíte animado pelo veludo de tom caramelo".
Além da emblemática mistura cromática, Rui Ehrhardt Soares resgatou ainda várias outras heranças do século XX, nomeadamente ícones de estilo que marcaram a década de 70. "Como iluminação de tecto foram adquiridos spots em bola de época; o regresso das alcatifas em vários tons, fundamentais para o ambiente confortável que se respira; algumas paredes foram lacadas numa sucessão de demãos até atingir o acabamento desejado; a utilização de espelhos; as peças de mobiliário e estofos, assim como a maior parte dos candeeiros foram desenhados por mim propositadamente para este espaço dentro de um espírito retro! Mistura de texturas e acabamentos diferentes, latões polidos, lacas em diversos tons, ébano de Macassar, ferro dourado, bronze, veludos, chenilles, linho e cetim de seda", adianta o profissional.
Segundo o autor do projeto, o maior desafio foi lidar com a quantidade de pintura, de grande escala, num espaço limitado. Assim, como forma de minimizar tanta informação visual, criaram-se armários fechados, totalmente disfarçados nas paredes, para esconder livros e objetos. Os sistemas de som e imagem estão inseridos numa parede falsa e escondidos com uma tela que, quando desce, revela a televisão.
O efeito estético marcante, quase cénico, num conceito que segue a tendência contemporânea, estende-se a todas as divisões, caso do lavabo social, pensado para receber a coleção de arte africana do proprietário. Esta encontra-se exposta em várias vitrinas, do chão ao tecto, desenhadas por Rui Ehrhardt Soares, devidamente iluminadas, protegidas por portas em vidro e com o interior forrado a seda laranja-fogo.
"Não faria sentido ter estas peças de coleção espalhadas pela casa. Por isso concentrei-as todas aqui! Sobre a bancada e lavatório em pedra Baltic Brown, da Clínica do Mármore, coloquei um candeeiro dos anos 70, com abajur em metal lacado a castanho tête de nègre. Os espelhos e as paredes, a porta e o tecto, lacados a (cinza) taupe, criam uma sucessão de reflexos cor de laranja muito engraçados!", observa.
Mais do que um espaço totalmente adaptado a quem nele vai viver ("uma composição, um todo feito de partes e detalhes, de histórias e emoções"), o designer de interiores diz procurar sempre ir mais longe e criar novas formas de ver e viver a casa. "Procuro a diferença por oposição à casa toda branquinha, simples e 'funcional' que não suporto. Para mim, tudo tem que ter pelo menos uma função, a estética".

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