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Decoração: Sonho em construção no Estoril

Na zona do Estoril, uma casa antiga, de 100m2, depois de recuperada foi transformada com empenho e arte num lugar de encontro de épocas e muitas histórias.

Esmeralda Costa
23 de julho de 2012, 13:33

É a materialização de um sonho há muito acalentado e agora concretizado: uma ca­sa térrea, de construção antiga, com cerca de 100m e um pequeno jardim de 50m. Este sonho tornado realidade parece, ao primei­ro olhar, uma construção do tipo rural, a fazer lembrar as casas alentejanas, com uma porta e duas janelas, mas onde tudo se desenvolve depois lá dentro, com desníveis interiores feitos através de pequenos degraus.
A proprietária, Inês Oliveira Cruz, designer de interiores, já vivia nesta zona, mas ambicionava uma morada diferente. "Este foi sempre o meu ideal de habitação. Morava aqui perto, já a tinha visto, até ao dia em que foi posta à venda. Estava muito degradada quando a comprámos, mas representava tudo aquilo que tinha desejado: recuperar uma casa antiga com história e cheia de alma", começa por contar muito feliz a proprietária. Já lá vão seis anos desde que iniciou a edificação deste projeto pessoal, que tem sido construído com muita dedicação e criatividade, duas características que definem o modo de estar do casal proprietário.
"Durante as obras anulei algumas paredes, principalmente na zona da sala comum, re­organizei os espaços que estavam menos bem, construi casas de banho, rasguei algumas janelas. Resumindo, recuperei na totalidade o interior e ao mesmo tempo passei para a casa aquilo que sou, a minha forma de estar, o meu estilo", reconhece Inês, que acabou por exercer a sua atividade de designer de interiores na sua própria casa.
Inês Oliveira Cruz fez também questão de preservar algumas características da antiga casa, como é o caso das paredes largas que acabam por dar legitimidade à habitação. "Mudei o pavimento, optei pelo cimento afagado, mas mantive a pedra lioz da chaminé da cozinha" explica a proprietária. De facto, uma das grandes preocupações desta intervenção passou por manter ao máximo o que era de origem, o que estava em pior estado de conservação teve de ser substituído, mas a designer procurou sempr­e conjugar o melhor possível elementos novos e antigos.
"Fazer com que na base surja a conjugação do antigo com o atual é a minha assinatura, o meu gosto pessoal. Gosto que se note que há uma mistura entre passado e presente", esclarece Inês. Hoje, estes 100m estão distribuídos por um escritório, uma sala comum (com zona de estar e de jantar), uma área que liga a sala aos quartos que, apesar de ser de passagem, está preparada para receber. Além de dois quartos e duas casas de banho, há ainda, junto ao jardim, mais duas divisões, um ateliê e outra sala ligada ao exterior e à cozinha.
Passada a fase da recuperação e melhoramentos, iniciou-se uma outra igualmente entusiasmante para o casal, a decoração de cada espaço. Ao lado da profissional de interiores esteve o marido, restaurador de antiguidades e de madeiras, que além de gostar dos trabalhos de Inês, concretizou para este projeto algumas das suas ideias.
"Da nossa anterior habitação transitou quase tudo: peças adquiridas, outras herdadas, algumas apanhadas na rua (que as pessoas deitam fora e que gosto de aproveitar). Somam-se as recordações das viagens que fizemos, apontamentos que vão dando alma à casa e que têm muito de mim, gosto de juntar!", explica, "alguns objetos são transformados. É o caso de uma antiga balança de uma mercearia, agora mesa de apoio, ou da consola que fiz com uma porta antiga e que está a apoiar a zona da sala de jantar. Gosto de dar às peças novas funções".
Aqui não há medo de colecionar objetos. O novo encontra lugar ao lado de elementos que vieram da rua, ou melhor, da casa de um desconhecido, sem a grande preocupação de que tudo tenha de condizer, no fundo, a aparente desorganização, funciona. Por isso, é uma casa muito rica, em cada recanto encontra-se algo com uma história para contar ou que ganhou renovada identidade através da funcionalidade que lhe foi dada.
"Esta é a minha forma de estar, aqui não há nenhum preconceito, no juntar peças, estilos, épocas, origens ou até tipos de madeira, não tenho essa preocupação. Claro que esta atitude é possível porque se trata da minha habitação. A nível profissional posso levar um pouco desta minha assinatura, mas só se coincidir com o gosto do cliente para quem estou a trabalhar", salienta a designer de interiores, que, pessoalmente, gosta de tirar partido das peças independentemente da sua origem ou estilo.
Inês não deixa de sublinhar a ajuda do marido, Ricardo Eismann, fundamental na concretização daquilo que ia idealizando, muitas coisas foram feitas a dois: "também ponho mãos à obra, gosto de fazer essa parte de criar, pintar e transformar", esclarece.
Além deste olhar personalizado que torna os ambientes desta casa tão originais, o casal é ainda colecionista, junta garrafas antigas de Cola Cola, saca-rolhas diversos... "também tenho a 'mania' de comprar louças e apresentar sempre mesas diferentes. Gosto muito de cozinhar e de receber amigos, por isso, faço questão de mostrar mesas criativas", reconhece Inês.
Aqui as portas estão sempre abertas, o casal gosta de receber, por isso, a casa está frequentemente cheia de gente e de coisas novas...
Mudanças para breve? Só na decoração, reconhece Inês: "nunca deixam de entrar peças novas e há sempre um sítio próprio onde as colocar. Desde que viemos para cá, a base manteve-se, mas já chegaram muitos objetos. Sinto a necessidade de completar, mas não de mudar. Completar, por exemplo, o jardim. Tenho muitas ideias que não foram ainda concretizadas, nesse sentido, pode dizer-se que é uma casa em constante mutação. Vai sendo construída", conclui a proprietária, feliz com a realização deste sonho que lhe permite usufruir de um espaço verdadeiramente edificado à imagem dos seus ocupantes.

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