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Decoração: Filosofia moderna na Ericeira

Na Ericeira, a primeira morada de um jovem casal. Interiores arejados e luminosos, repletos de design e pura descontração.

Patrícia Rocha
25 de maio de 2012, 01:21

Situada a 35 quilómetros de Lisboa, a Ericei­ra goza de fama internacional devido às suas praias e afamadas ondas, muito apreciadas pelos surfistas. É a primeira reserva mundial de surf da Europa e a segunda do mundo. Para o jovem casal Ana Santos e Pedro Tavares é, sobretudo devido a este enquadramento, o sítio ideal para se viver e fixar morada. "Passava aqui férias, não sou daqui, o meu marido é que sempre viveu aqui e não sei se ele viveria noutro lado", conta, divertida, a proprietária. "Esta casa esteve muito tempo desabitada, sem ninguém, estava praticamente abandonada. Um dia, de passagem, os meus pais vivem aqui ao lado, vi uma placa a dizer 'vende-se'. E viemos ver! A casa estava em muito mau estado... Não tinha nada a ver com o que é agora", frisa.
Adquirida a habitação, de três andares, com vista para o mar ("foi uma boa oportunidade"), o projeto de arquitetura de interiores arrancou e as áreas sociais, onde o casal gosta de receber os amigos e a família, ganhou atenção especial. "O piso da sala tinha várias divisões e uma casa de banho escuríssima, com banheira... Lá em cima, havia quatro quartos, três deles eram suítes... Tudo muito pequeno, estreito, compartimentado". A solução passou por derrubar paredes e, seguindo uma linguagem contemporânea, criar ambientes modernos, arejados e luminosos. "Teve de ser tudo novo, da canalização e eletricidade até às vigas", lembra Ana. "Acompanhei todo o projeto, incluindo a escolha dos materiais, do pavimento, as louças da casa de banho... Ia com a arquiteta escolher tudo".
A remodelação da casa, uma reforma integral, levou mais tempo do que o esperado: "Tivemos um primeiro empreiteiro que demorou mais a obra. Mas entre o projeto de arquitetura de interiores e a decoração foram uns dois anos. Vivemos aqui há cerca de três".
Para a decoração, a proprietária recorreu à Poeira, empresa de Mónica Penaguião. "Na altura, tinha visto um trabalho da loja, creio que numa revista de decoração, e gostei. Fui até lá e levei as plantas comigo. Via as peças, muito através dos catálogos, gostava e escolhia, com aconselhamento da equipa da Poeira. Antes de partir para a decoração da casa, não tinha qualquer noção de design, nada disso. Só depois é que comecei a ver mais revistas e a intei­rar-me", conta. "A composição do espaço fez-se aos bocadinhos... Muitas coisas foram compradas a posteriori e houve peças que demoraram três a quatro meses a chegar, porque foram encomendadas e vieram de fora. As nossas prioridades foram o quarto e a sala, o básico para as áreas mais utilizadas".
O estilo contemporâneo urbano reflete-se na arquitetura dos interiores, tal como nas peças de design e no branco que domina em todas as divisões. "Lembro-me de que, logo no início, quando entrei na Poeira, disse que queria uns sofás brancos. Não sei, talvez por ser uma casa junto à praia, tinha a ideia de sofás brancos..., algo muito lounge! Só que, depois, gostei muito dos tecidos da Missoni...", nota. "Acabámos por escolher estes sofás, acolhedores (em veludo da Designers Guild). E a verdade é que, embora seja uma casa junto à praia, não é uma casa de praia", observa Ana, que elegeu uma atmosfera limpa, contudo confortável, enriquecida pela rigorosa seleção de texturas e detalhes.
O piso térreo conta com o hall e uma entrada independente para a garagem. O andar superior, com sala comum, lavabo social e cozinha ligada a um terraço, está reservado ao convívio ou simplesmente ao estar, enquanto o piso intermédio contempla as zonas íntimas: uma suíte e dois quartos com casa de banho de apoio.
Subindo mais uns degraus chegamos ao topo, ao último piso, com uma sala, apoiada por lavabo social, que se abre para um terraço, verdadeiro mirante, com a melhor vista de mar e praia de toda a habitação, assegurada por uma guarda de vidro transparente. "No verão, gostamos muito de estar lá em cima... Mas a parte da casa onde estamos mais, independentemente da época, é na sala. Também por ser mais perto da cozinha", repara a proprietária.
A luz natural, que é convidada a entrar de forma generosa, e o espaço, com acabamentos atuais, base neutra e áreas em comunicação com o exterior, formam um conjunto harmonioso que valoriza tudo o que compõe os interiores. As peças e o mobiliário de design eleitos transmitem o lado prático do casal e a sua jovialidade, sem descurar conforto e sofisticação.
O quarto da bebé, a pequena Maria, de sete meses e meio, respeita a tendência geral da casa. A ideia foi criar um ambiente colorido e romântico, que possa acompanhar o crescimento da criança, combinando a base branca e neutra do mobiliário com tons claros e suaves, caso do rosa, presente em apontamentos e peças de design marcantes. A cadeira, com otomana, pela dupla Ronan e Erwan Bourollec, e o banco Eames Elephant são disso exemplo.
A primeira casa do casal não desilude, muito pelo contrário, surpreende. É um hino ao bom gosto e o reflexo da personalidade descontraída de Ana, formada em gestão, e Pedro, ligado profissionalmente à indústria do surf e amante deste desporto. "O mar está próximo, logo ali, e só podia estar... Se não é surf, é pesca! [risos] Embora o quarto de hóspedes seja muito pequeno, a ideia é ficar nesta casa e aumentar a família", remata a proprietária.

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