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Decoração: Pormenores essenciais em Lisboa

Os pormenores concebidos pelas arquitetas Patrícia Marques e Catarina Alves fizeram a diferença na vivência desta casa, com 280m2, em Lisboa. A proprietária conseguiu, por fim, aquilo que queria.

Joana Pinheiro
1 de maio de 2012, 13:00

Depois de anos de dedicação, Maria João Rolo conseguiu que a sua casa ficasse exatamente como pretendia. O início da história remonta a 2002, quando os proprietários adquiriram um apartamento no Lumiar, em Lisboa, ainda em fase de projeto. "Nessa altura só tínhamos dois filhos, a Mariana e o Jaime. Entretanto nasceu o Simão. Percebemos que não seria viável vivermos num T3, por isso, decidimos comprar o apartamento ao lado para construir uma casa maior", conta a designer e empresária.
"Ainda em planta, a tipologia foi comple­tamente alterada, de modo a criar uma ala privada, que alberga a suíte principal e três quartos, e uma ala comum, que acolhe a ampla área social, a cozinha e a suíte de hóspedes, num total de 280m. A maioria dos espaços assumiu outras configurações e recebeu outros usos. Do projeto original ficaram apenas a suíte de hóspedes e os quartos dos rapazes", explica Maria João Rolo.
Da escolha dos diferentes acabamentos ao acompanhamento da obra, a proprietária envolveu-se em todas as etapas. "Tive de insistir com o construtor para aumentar o leque de opções. Um dos pedidos que fiz foi para incluir portas lisas e brancas. O processo foi longo e bastante exigente, mas valeu a pena o esforço", reconhece. 
Finda a construção, os interiores estavam vazios e prontos a decorar. Nesse sentido, a designer contactou o ateliê AM2A. Mas quando as arquitetas Patrícia Marques e Catarina Alves visitaram o apartamento perceberam que havia ainda pormenores a ultimar. Desde logo, no hall de entrada. Foi criado um biombo para delimitar a área de receção e, simultaneamente, resguardar o espaço social. "Qualquer pessoa que entrasse na casa podia ver o que se estava a passar na sala de estar. Esta estrutura, de linhas retas, em MDF lacado a branco, não sendo um obstáculo visual, dado que tem rasgos, permite a desejada privacidade", nota Catarina Alves. "A par disso, define um canto de conversa muito simpático", acrescenta a empresária.

Concebida em open space, a área social é composta por um canto de conversa e um recanto de leitura, conectados por uma floreira, proposta pelo ateliê AM2A, uma zona de estar, com um espaçoso sofá e uma confortável chaise-longue giratória, e uma zona de jantar, onde se destacam a mesa, com amplos pés em alumínio niquelado e tampo em vidro, e as cadeiras, estofadas com sóbrios e elegantes têxteis da Aldeco. "Dada a amplitude da área social, não foi logo evidente qual seria a melhor forma de organizar as diversas funções, mas acabámos por conseguir criar diferentes ambientes", refere Patrícia Marques. "Um pormenor interessante é o rasgo de luz escondido atrás de um dos pilares. Facultando iluminação indireta, concede uma identidade própria àquele canto", realça.
Um dos principais desafios colocados às arquitetas foi encontrar uma solução que separasse e, ao mesmo tempo, conectasse a área social e o espaço lúdico das crianças. Idealizado por Maria João Rolo para os filhos jogarem e verem televisão, aquele espaço deveria ser independente da sala de estar, mas manter com esta uma comunicação direta, tanto física como visual. "Desenhámos um móvel, que se estende a todo o pé-direito, com uma generosa abertura. Além de cumprir os requisitos, funciona como bar, de um lado, e acolhe peças decorativas, do outro", sublinha Catarina Alves. "Quando recebo a família ou os amigos para jantar, uso-o também como móvel de apoio", acrescenta a proprietária.
Mas a intervenção das arquitetas não se limitou a pormenores essenciais que melhoraram substancialmente a vivência da casa. A sofisticada cozinha, com armários, garrafeira e balcão central em termolaminado de alto brilho preto, com orlas e puxadores em alumínio, tem a sua marca. É composta por duas zonas distintas, uma funcional, outra social.
Perspetivada do hall de entrada, não se percebe que ali é a cozinha. Vê-se apenas um elegante balcão lacado a preto. "Quando as visitas chegam, a porta da cozinha mantém-se aberta, porque a vista é bonita. A faixa de papel aplicada no tecto e nas paredes pretende reforçar o diálogo com a área social", afirma Catarina Alves.
No que se refere à decoração de interiores, a designer contou com a ajuda de Filipa Costa Gabriel, colaboradora do ateliê AM2A. "Queria uma casa simples e acolhedora, decorada em tons neutros, sobretudo branco, preto e cinzento. Gosto de papéis de parede lisos e texturados, conferem conforto sem se imporem demasiado. Quanto aos tecidos, prefiro igualmente os lisos, pelo que fui relutante em aceitar determinados padrões. Os cortinados também não foram uma escolha óbvia para mim, mas acabei por arriscar", revela a empresária.
O quarto do casal é sóbrio e equilibrado. O papel de parede com riscas na horizontal sugere uma atmosfera particular. A cabeceira da cama, com nicho para objetos e feixe de luz para leitura, alia estética e funcionalidade.
No quarto do Simão, de 5 anos, sobre o fundo azul de uma das paredes, destaca-se o painel personalizado, com fotografias e mensagens, idealizado e executado pela proprietária. Já no quarto do Jaime, de 10, sobressai uma multicolorida composição gráfica. Por fim, no quarto da Mariana, de 14, o papel de parede assume um suave cor-de-rosa e delicados motivos florais.
Maria João Rolo tem dificuldade em eleger o espaço que mais aprecia na sua casa. "Gosto bastante da área social, é ótima para receber a família e os amigos. Já reuni aqui 50 pessoas para jantar e correu lindamente. Contudo, identifico-me mais com a cozinha, é muito vivida, dotada de um requinte invulgar. Acho o escritório fantástico, consigo estar lá horas a trabalhar. Sendo mulher, não podia deixar de eleger o meu closet".
Proprietária e arquitetas ficaram satisfeitas com o resultado. "Foi fácil trabalharmos juntas, partilhamos a mesma linguagem. A Patrícia e a Catarina responderam rápida e eficientemente ao que lhes foi solicitado", salienta a empresária. "Este projeto correu particularmente bem, houve muita cumplicidade", finaliza Patrícia Marques.

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