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Decoração: Moldura funcional

Um apartamento, num prédio desenhado pelo arquiteto Alberto Pessoa, foi adaptado à vivência do seu proprietário, homem viajado, colecionador de arte contemporânea e de obras de várias paragens.

Esmeralda Costa
4 de janeiro de 2012, 17:23

Ao fim de oito anos a viver fora de Portu­gal, o protagonista desta história fecha um ciclo de vida abrindo um outro com o regresso à cidade de Lisboa. Na capital, empenha-se em procurar a casa onde irá ficar a viver, mas não se precipitou, viu várias situações, umas mais modernas que outras, umas mais inspiradoras, outras menos.
"Este apartamento com cerca de 180m2 con­seguiu reunir inúmeras vantagens. Estava num avançado estado de degradação, por isso, a precisar de grandes obras. O cenário ideal que me permitiria pô-lo como queria, não só reestruturar os interiores e tipologia, como alterar e escolher novos materiais e acabamentos", começa por contar o proprietário deste projeto. O facto de se tratar de uma morada com muita luz natural, foi, sem dúvida, mais uma característica a pesar na escolha. Por fim, influenciou positivamente ser um prédio de estilo internacional, neste caso, assinado por Alberto Pessoa, um dos arquitetos que desenhou a Fundação Calouste Gulbenkian, e "estar muito perto do meu emprego, que me permite fazer vida a pé (uma maneira realizada de estar na vida)", realça o dono.
O passo seguinte foi adaptar os interiores à vivência do seu proprietário. Recorreu aos serviços do arquiteto Paulo Street para concretizar aquilo que tinha idealizado. "A cozinha foi a divisão em que teve maior liberdade, instalou até uma bancada em península. No restante projeto, ajudou-me a materializar as ideias que tinha para cada situação em concreto", refere.
Modernizar os espaços foi o principal objetivo a alcançar no conjunto de melhoramentos, não só pelo estado de degradação dos materiais originais, mas também devido à casa ter áreas exíguas e muitas divisões descontextualizadas dos hábitos atuais.
Apesar de o mobiliário não ter sido comprado a pensar neste tipo de casa, hoje os dois aspetos acabam por funcionar. Pode dizer-se que valeu a pena esperar, habitação e móveis funcionam como num casamento feliz, repare-se na perfeita integração da mesa de refeições, de Le Corbusier, do sofá, de Eileen Gray, ou das cadeiras Marcel Breuer, afinal, o proprietário tinha tudo pensado: "após a remodelação, já sabia qual seria o resultado e onde colocar cada peça. A única situação realmente nova e não idealizada previamente foi a iluminação, isto porque nasceu em função das obras de arte", esclarece.
Os quatro anos vividos na Ásia fizeram au­mentar a coleção de pintura contemporânea do dono da casa, a juntar às muitas peças a que chama "arte do mundo ou arte tribal", aqui, mais de origem indiana, que gosta de expor um pouco por toda a parte.
Entretanto, já se passaram três anos bem vividos, por isso, o proprietário confessa que "não pensa mudar, é a moldura ideal para as minhas coisas, uma casa para ficar e uma boa base de regresso se um dia for obrigado a partir novamente para o estrangeiro", remata.

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