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Decoração: Visão pessoal

As criações da designer, como uma espécie de autorretrato, contam a sua história. Tranças, por exemplo, são detalhes recorrentes.

CARAS Decoração
31 de janeiro de 2017, 14:00

Anna Kraitz nasceu em 1973 em Ängelholm, Suécia. É filha dos ceramistas e escultores suecos Ulla e Gustav Kraitz. Cresceu na quinta da família, em Bjärehalvön, noroeste da província histórica da Escânia, e estudou Arte na Academia de Belas Artes de Budapeste (1993-1995). Depois de terminar os estudos no Beckmans College of Design (1997-1999), em Estocolmo, assina contrato com o empresário Sven Lundh, da empresa de mobiliário Källemo, para a qual passa a colaborar. Fundou o seu próprio estúdio de design, trabalhando como designer de produto e desenvolvendo mobiliário, cerâmica, iluminação e objetos, inspirados no dia-a-dia, mas com detalhes exclusivos, para marcas como a Design House Stockholm, Källemo, Nola, Svenskt Tenn, B-Sweden e Axcent. É um dos principais nomes do design sueco contemporâneo. Ganhou muitas distinções, incluindo o prestigiado prémio Bruno Mathsson (em 2008), e conta com várias exposições individuais e coletivas. O seu trabalho está representado no Nationalmuseum, em Estocolmo, e no Malmö Konstmuseum e figura em várias publicações, caso do livro Svenska Stolar, sobre as cadeiras suecas e os seus cria­dores, 1899-2013, da autoria de Dan Gordan, editado pela Norstedts, em 2014.
O que a levou a escolher a área do design?
Sempre soube que ia trabalhar em qualquer coisa artisticamente cria­tiva. O design é uma área surpreendente, mas, primeiro, estive mais inclinada para a pintura e escultura, daí ter frequentado uma escola de artes.
O que a inspira a criar?
Ser criativo é algo interior. É a maneira de me expressar. Como uma segunda língua. Mas é também um emocionante problema de resolução que exige criatividade e imaginação.
Onde trabalha os seus projetos?
O trabalho prático, de construção dos modelos projetados, faço-o na empresa que é também oficina. Todas as outras tarefas são realizadas no meu estúdio atualmente instalado em minha casa, onde tenho a companhia da minha bebé mais nova.
Como define as suas criações?
São, cada uma delas, pedaços de mim. Todas juntas são peças que contam uma história da minha vida. Ao mesmo tempo, sem história, são objetos funcionais reconhecíveis – com um pequeno twist.
Como escolhe os materiais que utiliza em cada produto?
Escolho o material pela sua expressividade e consoante a finalidade.
Tem em consideração a sustentabilidade e responsabilidade social de um projeto?
Quero que as minhas peças durem, vivam muito tempo. Os móveis são produzidos localmente, em pequena escala, os materiais e poucos produtores cuidadosamente selecionados. Espero que as coisas que faço tenham um valor acrescido ao ponto de as pessoas não se desfazerem delas, que sejam herdadas ou vendidas, e não mandadas fora.
Qual é a sua peça mais bem sucedida?
A poltrona Beatrix (nome da sua primeira filha), bastante utilizada por arquitetos em espaços de contexto público.
Como imagina os interiores de uma casa daqui a um século?
Vivemos numa era de migração em massa. Temos de encontrar novas soluções em todo o mundo para as pessoas. Alojamento, trabalho – sim, tudo. Veremos uma combinação maravilhosa de estilos de diferentes culturas. O mais provável é que a casa fique mais pequena e com menos coisas.
Como vê o panorama do design no futuro?
Haverá sempre palco para novas cadeiras, novas mesas, para o novo. Os seres humanos têm um desejo inato de criar, de serem criativos. Encontrar novas soluções ou apenas quererem expressar-se. É algo glorioso e que deve ser afirmado…
Próximos projetos...
Tenho inúmeros novos projetos excitantes pela frente. Depois de uma longa e maravilhosa licença de maternidade, vou começar a trabalhar com vidrarias bem conhecidas e em novas peças de mobiliário. Na calha está também uma nova colaboração com uma antiga e tradicional marca sueca.

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