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Decoração: Pura emoção

O 'designer' italiano cria objetos simples, do quotidiano, explorando a relação entre artesanato e 'design'.

CARAS Decoração
21 de abril de 2016, 15:34

Antonio Aricò formou-se no Politécnico de Milão e fez pós-graduação na Alta Scuola Politecnica, tendo completado a sua formação fora de Itália, estudando Metal & Jewellery Design no Duncan of Jordanstone College of Art na Escócia, Design de Produto no Royal Melbourne Institute of Technology na Austrália e Traditional Furniture Design em Espanha. Divide-se entre Milão, onde abriu o seu estúdio/showroom, em 2011, e Reggio (Calábria), onde nasceu e cresceu. Trabalha para grandes marcas italianas como Barilla Group, Seletti e Alessi.
O que o inspira a criar?
Costumo receber um brief. Para mim, é a faísca certa para começar a criar algo novo. Outras vezes, vejo algo que me inspira e a partir daí começo a pensar em novas histórias e objetos. A melhor inspiração, porém, vem da minha terra e das minhas raízes. E, acredite, Itália é um dos países mais inspiradores e belos do mundo.
Onde trabalha os seus projetos?
Posso projetar em qualquer parte do mundo, mas o lugar onde mais gosto de trabalhar é na carpintaria do meu avô, Saverio, na Calábria, sul de Itália. Lá, sinto-me em casa, o tempo pára e os pensamentos e as ideias fluem, sua­vemente, sem problemas ou qualquer tipo de pressão.
Qual é, entre todas as suas criações, a sua peça de eleição?
O The Blowing Man é um projeto de grande sucesso, em termos de história (um homem que sopra o vidro e transforma as peças em pequenas narrativas emocionais) e impacto no design contemporâneo. Trata-se de uma coleção de utensílios de mesa, em vidro borossilicato (resistente ao calor). No entanto, uma das minhas peças favoritas é a Dumba Chair. Uma peça de mobiliário simples a recordar o arquétipo de uma cadeira de todos os dias, mas cheia de personalidade nas suas proporções.
O que gosta mais: criar produtos ou projetar interiores?
Crio, acima de tudo, produtos e, às vezes, projeto interiores ligados a eles. Sinto-me mais confortável com pequenos objetos e mobiliário, em vez de grandes espaços.
Que produto da história do design gostaria de ter desenhado?
Gosto do trabalho de Archimede Seguso, Gio Ponti, Vico Magistretti, para citar alguns..., mas nunca pensei ou tive o desejo de assinar um objeto concebido por outro.
Como imagina os interiores de uma casa daqui a 100 anos?
Aconchegante, cheia de detalhes, interessante, basicamente uma coleção das muitas histórias das pessoas que as viveram. Um arquivo tangível das suas experiências de vida diárias.
Quais são os seus lugares favoritos numa casa?
Sendo italiano, devo dizer que um dos meus lugares favoritos é a cozi­nha. Os italianos passam muito tem­po nesta divisão, é o lugar onde geralmente se recebe os amigos para partilhar a comida.
Decoração e design, que futuro?
A decoração é uma forma de design, podemos apenas escolher quanto e que tipo de decoração queremos! Creio que, um dia, o design casará com uma decoração bem pensada e sofisticada, capaz de promover emoções e sensações agradáveis para experiências de vida quotidiana. O minimalismo, por muito tempo, conseguiu arrefecer a ênfase visual que costumávamos usar para partilhar e desfrutar do passado.
Mudaria alguma coisa na cena do design internacional?
Gostaria de transmitir a ideia de que o design não é mais, desde há muitos anos, na verdade, uma disciplina elitista... É um trabalho feito por centenas de pessoas em todo o mundo e todos trabalhamos com a mesma energia e o mesmo esforço... Somos todos iguais, não somos super estrelas ou génios. Fazemos um trabalho bonito e gratificante.
Próximos projetos...
Nos próximos meses, um conjunto de armários de vidro feitos em parceria com Soheila Dilfininian (talentoso artesão especialista em vitrais de igreja), uma coleção de utensílios de mesa, em porcelana, inspirada em belezas naturais da Austrália, onde vivi três meses, e uma coleção de pratos de pizza e bombonieres, desenvolvida para a Alessi... O resto é top secret!

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