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Decoração: Diálogo cultural

O designer industrial indiano desafia os limites da tecnologia e dos materiais, cruzando referências orientais e ocidentais, funcionalidade e entretenimento.

CARAS Decoração
18 de outubro de 2015, 17:00

Satyendra Pakhale nasceu em 1967, na Índia. É formado pela IIT Bombay (Indian Institute of Technology) e, mais tarde, pelo Art Centre College of Design Europe, na Suíça. Na década de 90 fez parte da equipa (pioneira) da Philips Design. Concebeu e dirigiu, a convite da Eindhoven Design Academy, na Holanda, o Programa de Mestrado em "Design for Humanity and Sustainable Living", de 2006 a 2010. Conta com várias exposições individuais e as suas obras fazem parte das coleções permanentes de vários museus (entre eles, Centre Georges Pompidou, em Paris, Victoria and Albert Museum, em Londres, ou Stedelijk Museum, em Amesterdão). As suas peças de edição limitada são representadas pela Ammann Gallery, galeria de design contemporâneo fundada por Gabrielle Ammann em 2006, em Colónia, Alemanha.
O que o inspira a criar?
Muitas vezes, uma ideia leva a outra e um projeto leva a outro. É uma continuidade de pensamentos. Uma imagem, conversa ou observação de uma nova situação pode conduzir a uma ideia. Às vezes, pode ser um material ou uma possibilidade tecnológica. Tudo pode inspirar-me ou motivar-me a criar ou a pensar numa nova forma de fazer alguma coisa. Acima de tudo, creio que é a minha curiosidade que me leva à criação.
Onde trabalha os seus projetos?
O trabalho acontece na mente (e quando digo mente, quero dizer coração, cabeça e sentimentos corporais/sensoriais). A manifestação física de qualquer ato de criação poderia ser um esboço, rabisco ou modelo de esboço que também poderia acontecer em qualquer lugar ou no estúdio. Tenho sempre comigo um caderno e um lápis! Essa con­ceção é a génese de cada projeto de design. Mas o trabalho em estúdio é importante. Os meus assistentes, o espaço, a luz, as instalações, as ferramentas e as condições criadas para trabalhar...
Qual é a sua melhor criação?
Gosto sempre de pensar que é o projeto em que estou a trabalhar no momento! Mas, em retrospetiva, talvez seja o "add-on Radiator" (na foto, página à direita, com o de­signer). Ainda é o único radiador que pode ser verdadeiramente integrado na arquitetura. Pode ser instalado de tal maneira que se torna uma divisória como um elemento tectónico. É um sistema de aque­cimento modular feito com unidades fáceis de produzir em vários tamanhos e combinações adequadas a diversas configurações arqui­tetónicas.
O que mais gosta de projetar: produtos ou interiores?
Sempre fui curioso e de mente aberta. Fascina-me criar produtos, bem como ambientes que evoquem algo sensorial. Um objeto ou produto bem desenhado cria a sua própria atmosfera, portanto espaço. Gosto de todo o tipo de projetos e de vários tipos de produtos, bem como de arquitetura. Interesso-me por trabalhos tão diversos quanto possível.
Tem algum mentor?
Há muitas pessoas, criadores e designers que respeito e admiro profundamente. Alguns conheço pessoalmente. Gosto de Luis Barragán, Issey Miyake, Ettore Sottsass Jr., como também de Isamu Noguchi, Shiro Kuramata, Frederick Kessler e muitos mais... Têm diferentes qualidades que admiro e poderia perfeitamente chamá-los de mentores.
Como imagina os interiores de uma casa daqui a 100 anos?
No próximo século, tal como nos séculos anteriores, assistimos a 'saltos de sapo' em termos de desenvolvimento tecnológico, o que terá o seu efeito sobre o modo de vida das pessoas e nos interiores de uma casa. Mas sou otimista por atitude e romântico de coração, logo gostaria de pensar que os interiores do futuro serão verdadeiramente humanos, sensoriais e aconchegantes; terão profundo sentido da história sem serem nostálgicos; serão futuristas sem serem tecno-centric.
Quais são os seus lugares de eleição numa casa?
Talvez o quarto. É o ambiente mais íntimo da casa! Um espaço aconchegante e pessoal para descansar, dormir e sonhar – e também para criar! Gosto de desenhar quando estou deitado na cama.
Design, que futuro?
O design será cada vez mais plural, com muitas expressões combinadas para criar novas formas que não só cumpram a função mas, acima de tudo, criem uma poética sensorial universal que se torne parte duradoura do tecido cultural.
O que mudaria no panorama do design internacional?
Creio que a noção de modernidade deve ser questionada e vista novamente com uma mente fresca por todas as gerações. Isso vai trazer ar fresco a noções já apreendidas sobre design e empurrar-nos para novas direções, muito mais emocionantes e humanas.
Próximos projetos...
Existem cerca de 10 a 12 projetos em andamento. Na maioria, trabalhos na área do design industrial e alguns em arquitetura. Estou a reinterpretar um objeto de culto modernista, transformando-o em algo relevante para o nosso tempo, através da aplicação de tecnologia contemporânea e multiplicidade cultural e estou ocupado em com­preender a complexidade das viagens aéreas e do trânsito nos aeroportos das mega cidades e empenhado com a forma de os tornar mais humanos e agradáveis.

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