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Decoração: Observação diária

O designer belga Quentin de Coster está atento aos hábitos do quotidiano, criando objetos estéticos e funcionais.

CARAS
10 de fevereiro de 2015, 14:00

Quentin de Coster nasceu na Bélgica, em 1990. Interessado, desde muito cedo, em arte, particularmente em objetos, começou por estudar desenho industrial na ESA de Saint Luc Liege em 2008. Em 2010, deixou a sua terra natal para viver e estudar em Milão (Politecnico di Milano e Ensav La Cambre). Colabora com várias marcas (Cinna, Dark, Grenz-Echo, ABV, Vervloet, entre outras). O seu trabalho é apresentado regularmente em todo o mundo e faz parte da coleção permanente Architecture & Design do Art Institute de Chicago.
Onde é que encontra inspiração?
Inspiram-me bastante os processos de fabrico. Adoro trabalhar com as mãos para compreender o material! Além disso, sou inspirado por arquétipos. Quando projeto um produto, refiro-me, muitas vezes, à memória coletiva dos usuários, até porque quero que os meus trabalhos cheguem a toda a gente.
Qual é a sua melhor criação?
Por enquanto, o produto que melhor vende é o Citrange, produzido pela Royal VKB, um duplo espremedor de citrinos que pode ser usado de ambos os lados e espreme diretamente para o copo. Faz parte da coleção permanente Architecture & Design do Art Institute de Chicago.
Tem algum mentor?
Gosto do trabalho de Maarten van Severen, dos irmãos Bouroullec e de Naoto Fukasawa.
Que produto da história do design gostaria de ter assinado?
A cadeira .03 desenhada por Maarten van Severen para a Vitra. É um produto minimalista bonito, além de um best seller incrível.
Como imagina os interiores de uma casa daqui a 100 anos?
Espero que seja muito diferente. Durante anos pensámos as casas da mesma maneira (tijolos e cimento definindo espaços fechados). Gostaria muito de viver numa casa sem separação interior, sem paredes, onde as divisões fossem simplesmente definidas pelo mobiliário. Aprecio espaços amplos, grandes, a cor branca, pureza, ordem e disciplina.
Decoração, e design, que futuro?
Creio que a impressão 3D está a revolucionar o design e a arquitetura em todo o mundo. No futuro, as pessoas vão certamente projetar objetos e talvez a sua própria casa, mas os profissionais não vão desaparecer, pois têm uma cultura e sensibilidade artística únicas.
Se pudesse, o que mudava no panorama do design?
No meu país (Bélgica) existem dezenas de entidades públicas criadas, supostamente, para ajudar os de­signers. Recebem milhões de euros do Estado para isso, mas nada fazem! As pessoas que trabalham nestas organizações são burocratas que matam o empreendedorismo. Recentemen­te, recorri a apoio financeiro do Es­tado para alguns dos meus projetos. Recusaram ajudar-me enquanto não provar a qualidade do meu trabalho. Na Bélgica, o Estado deixa a classe média morrer. É ultrajante! Estas organizações beneficiam-se apenas a si mesmas. Espero que isto mude! Estou realmente chocado.

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