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Decoração: Visão artística

O trabalho do ‘designer’ e diretor criativo franco-português Toni Grilo é cada vez mais respeitado e valorizado em Portugal e no estrangeiro.

CARAS Decoração
11 de maio de 2014, 19:00

Toni Grilo, filho de emigrantes portugueses, nasceu em França, em 1979. É formado em Design de Mobiliário e Arquitetura de Interiores pela École Supérieure Boulle, Paris. Veio para Lisboa em 2001 e abriu o seu próprio estúdio em 2008, especializado em design industrial, mobiliário e cenografia. Mudou-se recentemente para o Porto e está à frente da direção criativa de várias marcas (Riluc, Haymann, Blackcork ou Topázio).
Como é que começou a sua carreira?
Depois de tirar o curso, senti a necessidade de sair do cinzento parisiense e, talvez por curiosidade, tive vontade de conhecer melhor as minhas origens. Em 2001, aterrei em Lisboa, onde comecei a trabalhar com o designer Marco Sousa Santos (Proto Design).
Portugal influenciou o seu trabalho?

Viver e trabalhar em Portugal mudou tudo em mim. Quero e considero ser hoje mais português do que francês. Estudei em França, mas a verdadeira escola foi cá.
O que mais o inspira neste país?

As pessoas.
Como vê o design português?

Temos bons criativos em Portugal. Sempre houve de­signers com qualidade e a nova geração não fica atrás. Tenho pena de ver emigrar uma maioria porque não consegue trabalho no país. Não entendo. São precisamente destas pessoas que a indústria e as marcas portuguesas precisam para se renovarem.
Qual a importância de trabalhar com marcas nacionais?

Sou português e sinto-me útil quando participo no desenvolvimento de marcas nacionais. Não pretendo reverter a balança económica nacional, apenas me sinto responsável quando estou nas fábricas, vejo os trabalhadores a precisarem de trabalho e isto pesa quando crio novos produtos. Concebi a Blackcork, o meu projeto mais recente, como uma marca cem por cento portuguesa, desde a matéria e produção à conceção dos produtos, e convido apenas designers nacionais a desenhar.
É muito diferente de trabalhar com marcas estrangeiras, como a Christofle?

Cada marca tem o seu esquema de trabalho, quer seja portuguesa ou estrangeira. São todas diferentes e considero-as da mesma maneira.
Das suas criações, qual é a "menina dos seus olhos"?

Não tenho, verdadeiramente, amor às peças que fiz. Logo, não consigo escolher uma. Em contrapartida, gosto das memórias que me trazem, do momento da génese, da experiência que foi com o cliente ou fabricante na aventura da conceção do artigo. Depois da produção desligo completamente.
E a nível de matéria-prima, tem preferências?

Sou apaixonado pela técnica e pelo trabalho da matéria. Neste momento, estou concentrado na prata e na cortiça preta, porque estou a desenvolver projetos para a Topázio e Blackcork, a marca que criei para a Sofalca e foi lançada em Paris, no mês de janeiro. De modo geral, gosto muito das matérias naturais, sobretudo quando se vê o trabalho da natureza como o feitio das nervuras de um mármore ou das fibras de uma madeira.
Existe algum material com o qual ainda não tenha trabalhado, mas que gostasse de experimentar?

Trabalho com materiais diversos, exemplo do aço, prata, madeiras, mármores, vidros, cerâmicas, cortiça ou resinas. No entanto, nunca tive oportunidade de desenhar peças em plástico injetado. Gostava, de um dia, ter esta experiência.
Qual é o seu lema, enquanto designer e diretor artístico?

Não me vejo como um designer com estilo próprio. Nem quero ter! Tento ser o mais objetivo, sincero e verdadeiro quando respondo a um cliente. Adapto-me a cada projeto ou marca. Mesmo enquanto diretor criativo de várias marcas tenho um modus operandi para cada entidade. Assim, consigo criar imagens de marca bastante diferentes, como é o caso da Topázio, Blackcork, Riluc e Haymann.
Que conselho daria a um jovem designer que está a entrar no mercado?

Ouvir o que o cliente tem a dizer.
Próximos projetos...

Estou a desenvolver uma nova marca com um fabricante de mármores que será lançada ainda este ano. De resto, continuarei sempre a criar peças novas. Estão, também, previstas exposições, para breve, em Singapura, Dubai, Milão, Nova Iorque e Paris.

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