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Charles-Philippe e Diana de Cadaval falam sobre os momentos de pânico vividos em África

Convidados para a gala da Fundação Children of Africa, Diana de Cadaval e Charles-Philippe estavam na praia de Grand Bassam, na Costa do Marfim, durante o ataque terrorista.

CARAS
1 de abril de 2016, 16:01

Horas depois de escaparem ilesos do ataque terrorista do passado dia 13 na Costa do Marfim, Diana de Cadaval e o marido, Charles-Philippe d’Orléans, contaram à CARAS como viveram o massacre do qual resultaram 22 mortos já confirmados e que a organização terrorista Al-Qaeda no Magrebe islâmico já reivindicou. Convidados para a gala da Fundação Children of Africa, Diana e o marido estavam na praia de Grand Bassam (cidade da Costa do Marfim a cerca de 40 quilómetros de Abidjan) quando homens fortemente armados abriram fogo no exterior do hotel Étoile du Sud. Já no aeroporto de Abidjan, de regresso a casa, onde os esperava a filha, Isabelle, Diana e Charles-Philippe recordaram os momentos de horror que viveram.
– Estavam na praia quando começaram os tiroteios. Tiveram noção do perigo?
Charles-Philippe – Não, nunca pensámos tratar-se de terrorismo. Estava num restaurante à beira-mar com a minha mulher e um grupo de amigos, a preparar-me para nadar na praia, quando ouvimos o primeiro tiro. Na altura pensámos que se tratava de um foguete. Escassos minutos depois, um segundo tiro. Nessa altura as pessoas começaram a correr em todas as direções à procura de um abrigo seguro. Eu e a Diana, com os nossos amigos, refugiámo-nos num hotel à beira-mar. Ali, desvalorizaram os tiros e disseram-nos que se tratava da polícia a atirar tiros para o ar por causa de um jovem que entrara abusivamente numa zona privada da praia. Esperámos mais alguns minutos no interior do hotel, mas como tudo parecia calmo, decidimos regressar à praia.
– O que se passou de seguida?
Começaram a ser disparados tiros em todas as direções. Estávamos transformados em alvos de terroristas e começámos a ter consciência disso. Ouvia tiros vindos de todos os lados. Na praia vi corpos inertes na areia, talvez já mortos, e pessoas desesperadas a correrem em todas as direções. Nessa altura, os tiros repetiam-se a cada dez ou quinze segundos.
– Nessa altura começaram a temer pela vossa vida?
Sim. Sabíamos que estávamos transformados em alvos e era preciso sobreviver. No hotel estávamos cercados e ouvíamos os tiros a vir de todos os lados e víamos pessoas na praia tombadas. O pânico estava instalado. Falámos com um amigo, que estava dois hotéis mais à frente, e a si­tuação era semelhante: tiros e pânico. Nesse momento, tive a certeza de que para nos salvarmos precisávamos de sair dali. Tentámos manter a calma. Sabíamos que corríamos perigo se continuássemos fechados no hotel, facilmente nos transformariam em alvos. Sempre em contacto com os nossos amigos, tentámos alcançar o nosso carro e fugir. Os terroristas continuavam a semear a morte na praia.
– Para onde foram?
Para o nosso hotel em Abidjan. Eu a Diana fizemos rapidamente as malas e viemos para o aeroporto. Aqui, estamos em segurança e o que mais queremos agora é chegar a casa.
– Sentiram medo de morrer?
Nem tivemos tempo para ter medo. Tínhamos consciência de que era grave, mas nunca pensámos tratar-se de terrorismo. Só agora, já aqui no aeroporto, é que percebemos que fomos alvos para os terroristas naquela praia e podíamos ter morrido.
– Como se sentem agora?
Desejosos de chegar a casa, sãos e salvos, e abraçar a nossa filha e muito tristes. É importante lembrar que as vítimas deste ataque terroristas não somos nós. Nós estamos aqui e saímos vivos. As vítimas são as pessoas que morreram e a população da Costa do Marfim, que continua a sofrer.
– E a Diana, já se sente em segurança?
– Foi um horror o que se passou. Nos momentos mais difíceis pensava que temos uma filha de quatro anos e que a mãe e o pai tinham que regressar a casa, vivos. Foi pensar na Isabelle que me ajudou a manter a calma e procurar um abrigo seguro para nos protegermos das balas, a ganhar coragem para sair do hotel e fugir quando o tiroteio acalmou. Ajudou muito o sangue-frio e a destreza que o meu marido manteve durante o ataque. Agradecemos a Deus por termos sobrevivido a este ataque.

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