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D.R.

Morreu o pintor Fernando Lanhas

O pintor e arquiteto portuense Fernando Lanhas morreu este sábado aos 88 anos. O corpo de uma das maiores referências das Artes Plásticas portuguesas está na capela do Foco, e o funeral realiza-se esta segunda-feira no Porto.

Joana Brandão
5 de fevereiro de 2012, 23:51

Contemporâneo de Júlio Pomar, Júlio Resende e de Nadir Afonso, Fernando Lanhas é considerado o pai do abstraccionismo geométrico em Portugal. Toda a sua obra se caracteriza por uma unidade estilística, conferida pela recorrente utilização de linhas tensas e quebradas que se repetem, por vezes, paralelamente. O suporte do plano, no qual se organizam manchas de cores quentes e frias, lisas ou texturadas, conjugadas com linhas em perspetiva, revela-se o mais importante.

Licenciado em Arquitetura pela Escola de Belas Artes do Porto, Fernando Lanhas começou a pintar em 1944, influenciado pela música, pela astronomia e pelo abstraccionismo internacional. Com uma obra extraordinária na área das Artes Plásticas, o arquiteto portuense mostrou-se sempre curioso pelo mundo que o rodeava, da arquitetura à poesia, da arqueologia à astronomia, da etnografia à geologia.

Como pintor, Fernando Lanhas projetou e executou montagens de colecções no Museu Municipal da Figueira da Foz, no Museu Monográfico de Conímbriga, no Museu Militar do Porto e na Biblioteca-Museu Municipal de Paredes. Planeou o Museu de Mineralogia da Faculdade de Ciências do Porto e o Centro de Arte e Cultura Popular, em Famalicão. Entre as obras que realizou, enquanto arquiteto, destacam-se o projeto nunca realizado da Casa do Espaço (1958-1962); o Prédio de Rendimento, Porto (1957); moradias no Porto e em Espinho (1959, 1970); o Pavilhão de Exposições de Matosinhos (1964); o Museu Monográfico de Conímbriga (1982); e o Centro de Arte e Cultura de S. Pedro de Bairro, em Famalicão (1986).

Em entrevista ao Jornal de Notícias, Fernando Lanhas definiu arte da seguinte forma: "A arte é um fenómeno intrínseco à espécie humana. Um voo liberto e incontido pelo homem. A arte é um princípio ajustado àqueles que a fazem. É um fenómeno de intimidade ainda não entendido. Em suma, muitas vezes a arte não parece, mas é."

Doutorado Honoris Causa pela Universidade do Porto, sob proposta da Faculdade de Belas Artes, em 2005, Fernando Lanhas desenvolveu igualmente atividade científica no campo da antropologia e da etnografia, tendo sido diretor do Museu de Etnografia do Porto.

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